Especialistas acusam erros em estudo sobre efeitos do clima

Estudo sobre impacto das mudanças climáticas na agricultura foi publicado no site da Associação Americana para o Avanço da Ciência

AFP |

Cientistas afirmaram nesta quarta-feira (19) que o recente estudo sobre os impactos das mudanças climáticas na agricultura contém erros importantes. O estudo realizado por organização sediada na Argentina projetava um aumento da temperatura no planeta de 2,4º C e uma escassez alimentar mundial na próxima década.

O trabalho foi publicado no site na internet da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) e foi divulgado por várias agências internacionais de notícias, entre elas a AFP. Mas em seguida a AAAS tirou o estudo do ar, assim que um grupo de especialistas apontou vários erros de enfoque.

"Um jornalista do (britânico) The Guardian nos alertou ontem (18) sobre algumas dúvidas a respeito da notícia enviada pelo escritório de relações públicas Hoffman & Hoffman", escreveu a porta-voz da AAAS, Ginger Pinholster, em mensagem eletrônica enviada à AFP.

"Imediatamente contatamos um especialista em mudanças climáticas, que confirmou que a informação também lhe despertou dúvidas. Rapidamente tiramos o informe do nosso site na internet e contatamos a organização que o tinha enviado", acrescentou.

O climatologista Rey Weymann disse à AFP que "o estudo contém um erro importante, dado que confunde o aumento do 'equilíbrio' da temperatura com o 'aumento da temperatura transitória'".

Também destacou que a autora do estudo, Liliana Hisas, da Fundação Ecológica Universal - FEU, organização não-governamental com sede na Argentina - foi informada antecipadamente dos problemas do informe antes de sua publicação.

"A autora do estudo foi informada por vários de nós sobre este erro, mas disse que era tarde demais para mudá-lo", disse Weymann.

O estudo tem como coautor o cientista ganhador do Nobel Osvaldo Canziani, que foi integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) que obteve o reconhecimento.

O porta-voz de Canziani disse na terça-feira que estava doente e não podia dar entrevistas.
A empresa de RP que divulgou o informe em nome da FEU anunciou que o grupo apoia o estudo e emitirá um comunicado em breve.

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