Entenda a variação das estimativas sobre o vazamento nos EUA

Os números do vazamento já aumentaram 60 vezes desde seu início. Especialistas explicam a razão deste aumento

BBC Brasil |

selo

A dimensão estimada do vazamento de petróleo no Golfo do México já aumentou 60 vezes desde a explosão da plataforma de petróleo operada pela BP, em 20 de abril. Entenda por que os números mudaram tanto.

De que forma as estimativas mudaram? Uma nova estimativa divulgada na terça-feira pelo governo americano calcula que o vazamento de petróleo no Golfo do México seja de entre 35 mil e 60 mil barris por dia.

Veja a evolução do vazamento do Golfo do México no infográfico do iG

Os números resultam de análises feitas por cientistas do governo e especialistas independentes, com base em dados coletados no fim de semana. "É um passo significativo na busca de um número para o vazamento", afirmou o secretário de energia americano, Steven Chu.

Os primeiros números divulgados pelas autoridades americanas, em 26 de abril, apontavam para um vazamento de mil barris por dia. Em seguida, nos cálculos da BP, a estimativa saltou para 5 mil barris. A própria empresa mais tarde elevou suas estimativas para 12 mil e, posteriormente, para 19 mil barris diários. Na semana passada, números da agência geológica americana sinalizaram um vazamento diário de 40 mil barris.

Por que os números variaram tanto?
Os aparelhos de medição normalmente utilizados foram destruídos na explosão da plataforma Deepwater Horizon - acidente que deu origem ao desastre ambiental. Desde então, cientistas se muniram de vários métodos para apurar a quantidade de petróleo vazada.

Com fotos de satélite, por exemplo, especialistas analisam o tamanho da mancha no mar. Essa informação, combinada à análise de sua espessura, permite uma estimativa da dimensão do vazamento, com resultados, porém, pouco precisos, conforme afirma Geoffrey Maitland, professor de engenharia de energia do Imperial College, de Londres.

Paralelamente, especialistas em mecânica de fluidos fazem cálculos baseados na velocidade e outras características das partículas de óleo, gás e sólidos lançadas ao mar. Outras estimativas são feitas com base em imagens do vídeo do poço de petróleo atingido. Há ainda uma equipe, da Woods Hole Oceanographic Institution, dos Estados Unidos, encarregada da realização de medições baseadas em técnicas acústicas.

Quanto petróleo está sendo recolhido?
A BP diz estar recolhendo 15 mil barris de petróleo por dia com sua aparelhagem para conter o vazamento - um funil utilizado para desviar o óleo, instalado em 3 de junho. Isso significa que, mesmo que o vazamento seja de 35 mil barris por dia - a menor estimativa divulgada no dia 15 - ainda resta um vazamento diário de 20 mil barris de petróleo nas águas do Golfo do México.

A BP previa começar uma nova operação para contenção do petróleo no meio de junho, com o objetivo de elevar o volume recolhido para algo entre 10 mil e 28 mil barris por dia. Para meados de julho, a previsão é aumentar o volume para 80 mil.

"A BP subestimou o fluxo do vazamento e superestimou sua habilidade em contê-lo", afirma Ian MacDonald, professor de oceanografia da Universidade do Estado da Flórida, nos Estados Unidos. "Talvez tenha sido um erro fatal", avalia. "Como resultado, a crise está durando mais, com vazamento maior do que teria ocorrido caso a empresa tivesse feito cálculos mais precisos logo no início."

Qual é a precisão das últimas estimativas?
É muito difícil avaliar o grau de precisão das estimativas sobre o tamanho do vazamento. Segundo o professor Maitland, existe a preocupação de que nem todo o óleo tenha emergido à superfície - fato que dificulta a apuração da quantidade de petróleo vazada. Na sua avaliação, as incertezas nos processos de medição estão afetando ainda mais a reputação de BP. "Fica abalada a confiança de que a empresa tenha controle sobre os fatos e capacidade para recolher o petróleo ou conter o vazamento", diz.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG