Energia renovável vai cobrir 80% da necessidade global até 2050

Relatório do IPCC destaca que governos precisam integrar fontes alternativas às plantas já existentes

iG São Paulo |

As energias renováveis, como solar e eólica, poderão satisfazer 80% das necessidades globais em 2050 se forem mais desenvolvidas, de acordo com o relatório 164 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, divulgado nesta segunda-feira (9) em Abu Dhabi.

No entanto, o Painel Intragovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas, afirma que para atingir este índice será necessário que os governos invistam muito mais dinheiro nesta área, introduzindo políticas que integrem fontes de energia renovável aos sistemas já existentes, além da geração de energia e que promova seus benefícios a partir da redução da poluição do ar e melhorando a saúde pública.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), Adnan Amin, afirmou que, "segundo o relatório, o desenvolvimento do setor da energia renovável é inevitável, já que desempenha um papel-chave no futuro para todo o planeta".

O documento, que foi elaborado por mais de 120 pesquisadores, analisa diversas medidas para desenvolver as novas fontes de energia renovável. Segundo o texto, está previsto que esse setor se desenvolva em meados deste século e que seu uso se multiplique de três a 20 vezes.

O relatório destaca que em 2009 houve um notável aumento na produção de energia renovável: eólica (aumento de 30%), hidrelétrica (3%), solar vinculada a redes de distribuição (50%), geotérmica (4%) e solar para aquecimento de água (20%). Além disso, a produção de etanol aumentou 10%, e a de diesel, 9%. No documento, estima-se que os investimentos necessários para desenvolver este setor na próxima década devem ser de US$ 1,3 bilhão a US$ 5,1 bilhões.

Governos aprovaram o relatório sobre energias renováveis nesta segunda-feira (9) após uma reunião de quatro dias em Abu Dhabi. O documento científico foi feito para aconselhar governos na forma de elaborar políticas e também para ajudar a orientar o setor privado.

A organização Greenpeace e outros ambientalistas disseram que a Arábia Saudita e Qatar, dois estados ricos em petróleo, e que não têm interesse em fontes alternativas de energia, minimizaram o estudo principalmente no que se refere ao custo-benefício das energias renováveis – algo que os sauditas negam, afirmando que apenas estavam discutindo questões científicas.

O Brasil, maior produtor de etanol, se opôs ao relatório do IPCC sobre o que consideraram negativo nos efeitos dos biocombustíveis e hidrelétricas assim como o potencial econômico das outras energias renováveis.

Abu Dhabi recebe durante dez dias atividades relacionadas ao IPCC, que realizará a 33ª sessão de seu plenário entre os próximos dias 10 e 13, com a participação de mais de 600 delegados.

(Com informações da EFE e da AP)

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