Ecologistas e empresas indonésias se aliam contra desmatamento

Empresas participam de projetos de reflorestamento no país que perdeu 64 milhões de hectares de floresta nos últimos 50 anos

EFE |

EFE/ Paula Regueira Leal
Troncos queimados no Parque Nacional de Sebangau são um reflexo dos problemas ambientais na Indonésia
A aliança criada pelos grupos ambientalistas com companhias indonésias de proteção ao meio ambiente está pondo em apuros a indústria madeireira e de azeite de dendê, apontados como culpados pelo desmatamento.

Os ecologistas indonésios atribuem a dezenas de empresas desses dois setores a poda às vezes ilícita de milhares de hectares de florestas ao ano, que segundo reconhece o Governo de Jacarta, representou perdas de US$ 34 bilhões.

Agora, grandes empresas como a tecnológica Nokia e a companhia aérea Garuda Indonesia participam de  projetos de reflorestamento feitos pelos ecologistas e que devolveram a esperança sobre uma possível recuperação das matas.

A Indonésia perdeu 64 milhões de hectares de floresta durante o último meio século e as estimativas governamentais apontam a que mais de 1.236 empresas mineradoras e madeireiras e 537 empresas dedicadas à produção do azeite de dendê trabalharam ilegalmente na ilha de Bornéu, o segundo lugar com maior biodiversidade do mundo depois da Amazônia.

Só no Parque Nacional de Sebangau (Bornéu meridional), habitat de centenas de espécies e animais, o superfaturamento de terras arrasou uma superfície equivalente a das províncias espanholas de Astúrias e a Cantábria juntas.

A importância do parque não para por ai, já que com mais de 580 mil hectares de extensão, é uma das últimas e maiores florestas de resíduos vegetais do mundo.

Sebangau foi classificado como parque nacional em 2004 por causa da intensa campanha desenvolvida pela organização ambientalista WWF para evitar que a floresta sucumbisse aos interesses da indústria madeireira e da produção de azeite.

"A proteção das florestas por parte do Governo é inconsistente, por isso que a melhor maneira de atenuar a perda é conscientizar a comunidade e buscar financiamento privado para implementar projetos de reflorestamento", explica à Agência Efe Rosenda Kasih, coordenadora da organização ambientalista WWF em Sebangau.

Os ativistas decidiram aplicar a mesma estratégia que as empresas em suas iniciativas e com capital privado começaram a comprar grandes áreas de floresta para protegê-las e replantar árvores autóctones.

Só em Sebangau foram reflorestados 61 mil hectares destruídos por poda ilegal e incêndio, as maiores ameaças caíram 95% desde o ano 2005, diz WWF. Um dado a se comemorar, mas que não deve servir para desviar a atenção sobre "um drama que continua existindo", alerta Kasih.

Na parte indonésia da ilha de Bornéu há, ao todo, oito parques nacionais, áreas nas quais está, em princípio, proibida toda atividade que diminua a fauna e flora, "mas onde os Governos locais fazem vista grossa diante da exploração ilícita", lamenta Suni, um especialista do parque de Sebangau.

A bordo de um bote, o único meio para chegar até Sebangau, assombra a quantidade de árvores carbonizadas, uma triste lembrança da natureza exuberante. Clareiras na floresta são como cicatrizes que não deixam esquecer os danos feitos ao parque.

Nesta luta, as associações ambientais criaram maneiras de resistir à vantagem econômica das poderosas empresas. Quando as madeireiras criavam canais no meio das florestas para transportar em sigilo a madeira que retiravam ilegalmente, os ecologistas, em contrapartida, começaram a construir barreiras para inutilizar os canais.

As mesmas empresas provocavam incêndios para conseguir grandes quantidades de madeira barata, embora o produto queimado fosse de menor qualidade, mas graças a pressão dos ativistas o Governo indonésio proibiu qualquer tipo de venda de troncos queimados ou derrubados.

Precisamente, o Executivo central foi a mais importante incorporação que os ecologistas puderam conseguir para sua luta; a passividade até então diante das atividades que reduziam as florestas criavam grandes benefícios à indústria exploratória.

No entanto, em abril, em parte graças à pressão estrangeira e especialmente da União Europeia (UE), vários ministérios começaram uma investigação conjunta para avaliar os danos causados e colocar freio a esta destruição.

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