Divulgação de estudo sobre devastação ambiental é adiada

ONGs que assinam documento sobre problemas na produção de ferro-gusa e aço pediram mais tempo para incluir novas informações

AE |

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A divulgação de um estudo sobre o combate à devastação ambiental e ao trabalho escravo na produção de ferro-gusa e aço, marcada para esta quinta-feira, acabou sendo adiada durante evento realizado em São Paulo que discutiu a questão e no qual estava presente a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A informação sobre o adiamento frustrou boa parte da plateia de ambientalistas e jornalistas que aguardavam pela divulgação do trabalho. 

As organizações não governamentais (ONGs) Papel Social e Repórter Brasil, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, a WWF-Brasil, a Fundación Avina e a Rede Nossa São Paulo, responsáveis pelo evento, alegaram que, durante a confecção do documento, tiveram acesso a novas informações que não poderiam ficar fora da publicação. "Para não cancelar o evento, decidimos adiar a divulgação do estudo para daqui 10 ou 15 dias", disse o vice-presidente do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi.

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Questionado pela Agência Estado, Itacarambi negou que o adiamento poderia estar ligado a pressão do setor industrial. "Não teve pressão da indústria, que, aliás, queria conhecer antes o relatório. Nós é que seguramos, para que todos tivessem conhecimento do teor do documento aqui", disse o vice-presidente do Instituto Ethos. Ele admitiu que a indústria estava preocupada com o teor do relatório, mas afirmou que os problemas pertinentes a cada empresa já tinham sido apresentados a elas nas conversas iniciadas em 2012.

Transparência
"O problema neste setor é justamente a falta de transparência. Se nós deixássemos de inserir as novas informações no documento, aumentaria ainda mais esta falta de transparência", disse Itacarambi, que se furtou a dizer quais seriam as novas informações. "Vamos esclarecer tudo primeiro e, depois, soltaremos o documento, em 10 ou 15 dias". O gerente de políticas públicas do Instituto Ethos, Caio Magri, afirmou que a necessidade de consolidar as novas informações atrasou a finalização do trabalho. Ele prometeu, porém, índices inéditos sobre a produção do carvão vegetal de uso siderúrgico no País.

Entre os principais pontos do encontro sobre o combate à devastação ambiental e ao trabalho escravo na produção do ferro-gusa e aço, estava previsto também o anúncio de um acordo de compromissos assumidos pelo grupo e que seria assinado por representantes das 49 empresas que participaram das discussões.

Porém, até o término do encontro, por volta das 13h desta quinta-feira, apenas nove empresas haviam assinado o termo de compromisso. Representantes da Vale e do Grupo Votorantim participaram do encontro, declararam publicamente o apoio de suas empresas ao documento, mas não assinaram o termo de compromisso.

"A Vale esteve aqui, não assinou, mas declarou publicamente seu apoio, e isso é suficiente. Espero que ela assine depois", disse Itacarambi. Na avaliação dele, o que pode ter acontecido é os representantes enviados por Vale e Votorantim não terem tido autorização das empresas para assinar o documento.

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