Desmatamento da Amazônia em outubro sobe para 386 km2

Em comparação ao mês de setembro, desmatamento cresceu 51,91%

iG São Paulo |

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Desmatamento na Amazônia cresceu 51% no mês de outubro
O desmatamento na Amazônia foi de 385,56 km², o equivalente a 46.787 campos de futebol do Maracanã, de acordo com dados divulgados hoje pelo Deter, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A área desmatada na região cresceu 51,91% em comparação a índice de setembro, quando foram derrubados 253,8 km 2 de floresta .

Rondônia, pela primeira vez, foi o estado com maior desmatamento, 128,59 km². Em seguida está o Pará, com 119,39 km² e em terceiro o Mato Grosso (98,08 km²).

De acordo com o Inpe, 17% da região estava encoberta por nuvens em outubro, que impediram a visualização de algumas áreas.

No mês passado foi divulgado o resultado do Prodes onde que mostrou que o desmatamento na Amazônia Legal cresceu 13,56% de janeiro a agosto de 2011 em comparação com igual período do ano passado.A área devastada aumentou de 1.393 quilômetros quadrados em 2010, para 1.582 km² neste ano.

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No período, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Tocantins apresentaram avanço na região de floresta degradada se comparada ao ano anterior. Sozinho, o Estado de Mato Grosso devastou 769 km² até agosto deste ano. Isso equivale a quase a área total desmatada em todos os outros Estados da Amazônia Legal - 813 km².

Os alertas produzidos pelo Deter servem para orientar a fiscalização e garantir ações eficazes de controle da derrubada da floresta. Embora os dados sejam divulgados em relatórios mensais ou bimestrais, os resultados do Deter são enviados quase que diariamente ao Ibama. Para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o Inpe utiliza o Prodes que trabalha com imagens de melhor resolução espacial capazes de mostrar também os pequenos desmatamentos.

Aquecimento econômico de Rondônia
O Ministério do Meio Ambiente acredita que a alta na perda florestal no Estado se deve ao aquecimento da economia de Rondônia, onde estão sendo construídas duas grandes usinas hidrelétricas - Santo Antonio e Jirau -, ambas nos arredores da capital Porto Velho.

"De fato estamos interessados em saber o que aconteceu nas proximidades de Porto Velho, porque as proximidades de Porto Velho respondem pela maior parte do desmatamento em Rondônia", disse à Reuters o diretor de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério, Mauro Pires.

"A nossa impressão é que tem a ver com a economia local. É um município que vem crescendo, que vem sendo palco de grandes obras", acrescentou.

"No geral, Amazônia inteira, o dado de outubro meio que repete o número de outubro do ano passado, então ele está mais ou menos estável. No geral significa que o número não é ruim, embora tenha aumentado em relação a setembro, ele está dentro do previsível", avaliou.

Pires lembrou que os meses de agosto, setembro e outubro, por serem os meses mais secos do ano na região amazônica, tradicionalmente tem números mais altos de desmatamento. Não só porque o clima seco facilita a derrubada da floresta, mas porque a cobertura de nuvens é menor, o que facilita a detecção das áreas desmatadas pelos satélites.

Olho de lince
Segundo Pires, o Ministério do Meio Ambiente vem monitorando há alguns meses a tendência de elevação do desmatamento em Rondônia e passará a acompanhar o Estado com "olho de lince", além de intensificar a fiscalização.

"Há alguns meses Porto Velho e aquela região aparecem como área de maior desmatamento, então não é à toa que a gente está com um olhar mais acurado para aquela porção do país, em termos de fiscalização, em termos de agendas voltadas para reduzir o desmatamento", disse Pires.

As usinas hidrelétricas de Santo Antonio e de Jirau são considerados pelo governo federal projetos prioritários para garantir o abastecimento de energia e o crescimento econômico do país nos próximos anos.

Jirau tem o início de operações previsto para outubro do ano que vem, enquanto Santo Antonio deve começar a funcionar em dezembro deste ano.

Combinadas, as duas usinas terão capacidade superior a 6 mil megawatts quando estiverem funcionando a pleno vapor. O investimento previsto nas duas unidades é da ordem de 25 bilhões de reais.

"Sem dúvida que isso aquece a economia local", disse Pires. "Isso redunda em preço de terra, redunda em pessoas com mais capital interessadas em fazer desmatamento."

Pires disse que, ao menos por ora, não está prevista a criação de um gabinete de crise com diversas entidades do governo para lidar com a alta do desmatamento em Rondônia, como foi feito no primeiro semestre com Mato Grosso.

"Não está previsto, mas, se for necessário, isso é rapidamente acionado", disse.

(Com informações da Reuters)

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