Desmatamento da Amazônia cresce 16% em relação ao mês de maio

No mês de junho foram 313 km² de área desmatada, de acordo com dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe)

iG São Paulo |

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Desmatamento na Amazônia cresceu 16% no mês de junho
O desmatamento na Amazônia no mês de junho subiu 16,79%% em relação ao mês de maio. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais foram 313 km² foram desmatados em junho, em comparação aos 268 km² do mês de maio. O Pará foi o estado que mais desmatou com 119,63 km² de seguido pelo Mato Grosso (81,54 km²) e Rondônia (64,15 km²). Os dados foram divulgados hoje (2) pelo sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O desmatamento voltou a crescer após queda no mês de maio em relação a maio e abril, quando 593 km2 de área foram desmatados. Na época a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira considerou o crescimento do desmatamento concentrado em Mato Grosso “absolutamente inusitado” e decidiu instalar um gabinete de crise para apurar esse aumento. Duas semanas depois, o ritmo dos motosserras diminuiu de 175 km 2 para 17 km 2 .

Comparação com o ano passado
Em comparação ao mês de julho do ano passado, a crescimento foi maior, o desmatamento subiu 28%. Em junho de 2010 foram perdidos 243.7 km 2 de floresta

O Deter é um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento de áreas maiores do que 25 hectares. O Inpe desaconselha a comparação entre dados de os mesmos meses dos anos anteriores, por causa da diferença na cobertura de nuvens entre os períodos e, também, da resolução dos satélites.

Acumulado do ano
O desmatamento na Amazônia neste ano deverá superar a taxa anual medida no ano passado. O primeiro sinal claro aparece nos alertas de desmatamento e degradação da floresta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O sistema Deter acumulou em 11 meses do período de coleta da taxa anual uma área maior do que a captada entre agosto de 2009 e julho de 2010.

Até junho, o Deter registrou 2.429,5 quilômetros quadrados de florestas abatidas. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 35% no ritmo das motosserras. Os dados de julho, que completarão os 12 meses da taxa oficial, só serão divulgados no final do mês. Mas os dados até aqui já superaram os 2.294 quilômetros quadrados de desmatamento medido até julho de 2010, o menor da série histórica do Inpe. O anúncio da taxa oficial está previsto para o final do ano.

Mauro Pires, diretor de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, prefere não especular sobre a nova taxa. "Vai ficar muito próxima da taxa de 2009 e de 2010", disse. Em 2009, o sistema Prodes indicou o abate de 7.464 quilômetros quadrados de desmatamento. No ano seguinte, o Prodes mediu o corte de 6.451 quilômetros quadrados de floresta.

Qualquer número acima do recorde registrado no ano passado significará a interrupção de uma queda do desmatamento que vem sendo registrada desde 2008. E pode comprometer os compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. O desmatamento ainda é a maior fonte de emissão de carbono no país.

Sistemas
O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, chama a atenção para a diferença entre os dois sistemas do instituto. O Deter é responsável pelos alertas de desmatamento. Mais rápido, é menos preciso, não alcança pequenas áreas. O Prodes, no qual se baseia a taxa oficial anual de desmatamento, alcança áreas pequenas, mas só considera o corte raso de árvores.

Câmara confirma o aumento de 35% nos alertas de desmatamento do Deter no período de 11 meses. Mas não autoriza o mesmo tipo de projeção para a taxa oficial anual. "Ainda é cedo para extrapolar estes dados para o computo anual do Prodes. Ainda faltam os dados de junho de 2011 para fazer uma avaliação melhor. Se os dados de julho deste ano forem muito inferiores aos de julho de 2010, como resultado da intensa fiscalização do governo, não irá se configurar um cenário de aumento forte do desmatamento", afirmou o diretor do Inpe.

Em maio, houve um crescimento significativo no desmatamento. "Diante do que poderia acontecer, a tendência que temos hoje é de contenção", insiste Mauro Pires. Em parte, o recorde pode ser justificado pela menor presença de nuvens na região no período de passagem dos satélites.

(Com informações da Agência Estado)

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