Custo de captura de carbono frustra previsões de novos projetos

Empresa energética, ScottishPower, anunciou que desistiu de construir um usina de captura e armazenamento subterrâneo de carbono

AE |

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O fracasso de um projeto na Grã-Bretanha jogou um balde de água fria nas expectativas em torno da tecnologia de captura e armazenamento de carbono, os chamados CCS na sigla em inglês. A empresa energética, ScottishPower, anunciou que desistiu de construir um CCS na usina de Longannet, no distrito de Fife, Escócia. E a principal razão foi o alto custo de projeto.

Os custos para a instalação de um CCS têm se mostrado uma grande barreira, além das críticas de ambientalistas e cientistas. O projeto do Longannet tornou-se emblemático porque era o único candidato de uma disputa para receber recursos oficiais para esse tipo de tecnologia. Quatro anos atrás, a Grã-Bretanha propôs pagar todos os custos para a instalação de um projeto de captura e armazenamento, mas logo foi estabelecido o teto de 1 bilhão de libras. Apenas a iniciativa da ScottishPower continuou na disputa pelo dinheiro, mas a empresa desistiu após chegar a conclusão que o projeto não sairia por menos de 1,5 bilhões de libras.

A captura e o armazenamento subterrâneo de carbono têm como objetivo capturar gases do efeito estufa (GEEs) emitidos por usinas de energia a carvão ou fábricas e colocá-lo em reservas de petróleo e gás extintas ou em outros locais de armazenamento subterrâneos. Ainda não existem projetos em escala comercial, mas o Instituto Global de CCS contabiliza mais de 230 projetos em fase de planejamento ou iniciando sua execução globalmente.

Cientistas, ambientalistas e comunidades contestam a viabilidade desse método que consiste em comprimir e liquefazer o dióxido de carbono antes de enviá-lo para depósitos na litosfera terrestre. O sistema vem sendo usado há anos como forma de recuperar petróleo e gás em poços em extinção, mas para o combate ao efeito estufa, sua eficácia é questionada.

Em primeiro lugar, a instalação do sistema tende a ter um custo muito alto. A captura e compressão do dióxido de carbono são relativamente simples em usinas de energia a carvão, por exemplo. Mas como os lugares previstos para o armazenamento do gás raramente estão perto dos geradores, é necessário instalar uma rede de tubulações para transportar o gás liquefeito da fonte até o depósito.

Segundo, a captura deste gás consome muita energia, reduzindo a eficiência do processo. Em 2005, o IPCC estimou que a captura e compressão de dióxido de carbono aumentaria entre 25% e 40% o consumo de combustível em uma central térmica a carvão. Por fim, há o temor de vazamento e o risco de provocar movimentos de terra, com consequências ambientais imprevisíveis. Por isso, para parte do movimento ambientalista, essa técnica só deveria ser usada como última solução na luta contra o aquecimento global.

Mas seus defensores destacam que o CCS poderia ser tão importante nesse século como a transição para energias renováveis, como eólica ou solar, para reduzir as emissões mundiais de GEEs. Conforme a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), o CCS poderá contribuir com 19% de todas as reduções de emissões planejadas para 2050.

O foco dos projetos de CCS tem mudado da Europa para os Estados Unidos. Isso porque a injeção de dióxido de carbono está sendo planejada em reservas de petróleo semi-extintas, o que pode aumentar a produção desses poços e gerar receita. Também a China continua investindo em pesquisa e desenvolvimento.

Apesar dos altos custos e das críticas à tecnologia, alguns grandes projetos estão em andamento. Em 2010, a petrolífera Chevron Corp iniciou a implementação do Projeto Gorgon na Austrália, que deve ser o maior projeto de armazenamento de carbono do mundo. A empresa americana Southern Company também está construindo o primeiro projeto em larga escala de captura de CO2 nos EUA.

Para ficar de olho
Mercado de Carbono - A tecnologia CCS pode ganhar um novo estímulo para seu desenvolvimento nos Estados Unidos. O Estado da Califórnia anunciou na semana passada a regulamentação definitiva do cap-and-trade do Estado. Assim, foi criado um esquema de comércio de emissões de gases do efeito estufa, previsto para meados de 2012. O cap-and-trade, que pode ser traduzido como 'limite e negociação', é um mecanismo de mercado que cria limites para as emissões de gases de um determinado setor ou grupo. Com base nos limites estabelecidos, são lançadas permissões de emissão e cada participante do esquema determina como cumprirá estes limites. Empresas do setor industrial, geração de energia (incluindo importação) e refinarias terão que cumprir metas sob o esquema a partir de 2013, com a possibilidade de negociar créditos de carbono. Em 2015, entra o setor de combustíveis no esquema e 85% das emissões da Califórnia estarão cobertas.

Para saber mais
Rio + 20 - O Ministério do Meio Ambiente publicou o relatório final da consulta pública para coletar subsídios à elaboração do documento que o Brasil submeterá à ONU em 1º de novembro, contendo suas propostas e visões para a Rio + 20.

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