Cúpula dá esperanças de conter mancha

A expectativa é de que o equipamento comece a trabalhar na segunda-feira

AFP |

A cúpula destinada a conter o vazamento de petróleo do golfo do México estava sendo instalada nesta sexta-feira, uma operação complexa que leva esperança para os moradores da região, que começaram a sentir os efeitos da maré negra antes mesmo de vê-la.

A cúpula de cem toneladas que visa a conter a hemorragia de petróleo começou a ser descida na quinta-feira às 22h00 locais (sexta-feira, 00H00 de Brasília), no local preciso onde a plataforma Deepwater Horizon naufragou em 22 de abril após uma explosão a cerca de 80 km do litoral, indicou a guarda costeira à AFP.

Esta cúpula que tem deixado os americanos com os dedos cruzados deverá permitir a canalização do petróleo para a superfície para que seja recuperado por um petroleiro.

Os diretores da British Petroleum, que exploram a plataforma, esperam que o equipamento entre em operação até segunda-feira. Mas a tarefa, a 1.500 metros de profundidade, é muito complicada.

"É tudo completamente escuro lá em baixo. Não há mergulhadores, e há todos os tipos de correntes", explica Greg McCormack, especialista em petróleo da Universidade do Texas.

Na pior das hipóteses, a instalação da cúpula, um silo branco de 12 metros de altura com o topo em forma de domo, poderia agravar o vazamento e multiplicar por 12 a quantidade de petróleo jogada no mar, atualmente de 800.000 litros por dia, advertiram os especialistas da BP.

"Nosso planejamento e nossa preparação são realizados como se não houvesse uma cúpula", declarou a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano.

"Ficaremos satisfeitos apenas quando o petróleo parar de se espalhar, o vazamento for contido, a poluição for eliminada e os prejuízos forem pagos", disse.

A operação concentra as esperanças das populações que vivem no litoral do golfo do México, no Texas e até na Flórida.

Porque mesmo que apenas algumas ilhas desabitadas tenham sido atingidas pelo petróleo até agora e mesmo que a maior camada não deva chegar ao litoral até o final de semana, sua vida cotidiana já foi mudada.

A Louisiana decretou na quinta-feira uma moratória na pesca de camarões nas águas próximas da foz do Mississippi e prolongou a proibição da pesca comercial e de lazer instaurada no dia 30 de abril. A indústria da pesca tem um peso de 2,4 milhões de dólares neste Estado.

William Bradford, de 26 anos, ganha a vida guiando adeptos da pesca esportiva, o que ainda é possível em algumas áreas à oeste da foz do Mississippi. Vários passeios previstos foram cancelados.

"Não ser pago não me preocupa", explica, mostrando o dispositivo flutuante instalado para conter a camada de petróleo. "O que quero é poder pescar, que meus filhos possam pescar".

Mergulhando a mão na água, ele retira uma espécie de bolha viscosa. As physalias (organismos semelhantes a medusas que se alimentam de tartarugas marinhas) boiam, mortas, na superfície.

Os ecologistas estão alarmados com os efeitos do petróleo sobre o ecossistema, e também com os dos produtos químicos dispersantes espalhados para impedir o petróleo de atingir a terra.

Esses produtos deixam o petróleo mais difícil de ser recuperado, e sua utilização nas profundezas, e não na superfície, é inédita e poderá ser nociva para algumas espécies marinhas. A continuação da utilização deste método dependerá do resultado dos testes feitos pela BP.

"Qualquer resposta técnica (à maré negra) é um compromisso", reconhece Doug Helton, da agência marítima americana NOAA. 

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