Consumidores ainda discriminam produtos verdes

Estudo americano mostra que ainda há desconfiança quanto à sua eficácia e durabilidade

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Produtos de limpeza sustentáveis não atraem a confiança do consumidor, diz estudo
Com a preocupação cada vez maior com preservação ambiental,a maior sacada de marketing atual poderia ser anexar uma etiqueta de “verde” ou “sustentável” aos produtos e garantir as vendas. A estratégia parece vencedora, mas na prática, a teoria é outra. Uma pesquisa feita por pesquisadores da Universidade de Austin-Texas e da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, mostrou que enquanto 40% dos americanos afirmam querer comprar produtos verdes somente 4% fazem-no quando lhes é dada a opção.

A discrepância entre o que as pessoas dizem e fazem tem uma explicação. “Elas querem parecer ‘boas cidadãs’, mas ao mesmo tempo pensam que os produtos sustentáveis não são tão efetivos quanto os não sustentáveis que executem a mesma função. É por isso que mesmo que digam que gostariam de ajudar iniciativas sustentáveis eles não conseguem colocar seu dinheiro para comprar esses produtos,” explicou ao iG Raj Raghunathan, um dos autores do estudo, da Universidade de Austin-Texas.

O trabalho, publicado na revista Journal of Marketing, mostrou também que a “penalidade” imposta aos produtos por serem verdes está bastante relacionada a bens de consumo nos quais durabilidade e força são fatores decisivos na hora da compra. Ou seja: as pessoas não acreditam na eficácia de sabão em pó para lavar roupa (força) ou em pneus sustentáveis (durabilidade).

Eficácia não confiável
Isso foi comprovado durante a pesquisa, que levantou o uso e consumo de higienizadores de mão ‘verdes’ versus normais durante o surto de gripe A(H1N1). O resultado mostrou que as pessoas tinham a tendência a usar o produto não verde porque achavam que seria mais eficaz, mas mudavam de opinião – e compravam o verde - quando sentiam que alguém estava observando a escolha. Porém, em produtos nos quais a delicadeza é fator decisivo, como o caso de shampoo para bebês, com todos os outros fatores iguais, compra-se o ecosustentável.

Com o tempo, este padrão deve mudar, segundo Raj. “Quando mais desses produtos estiverem nas prateleiras, há uma grande probabilidade que as pessoas entendam a popularidade deles como um sinal de eficácia. Com isso, irá aumentar as chances de elas os experimentarem e uma vez convencidas eles funcionam tão bem quanto os produtos não sustentáveis, irão provavelmente adotá-los”, completou.

As chances disso ocorrer, no entanto, não será igual em todas as categorias de produtos. Alguns fatores deverão influenciar a decisão do consumidor, entre eles preço comparável ao produto não sustentável; e qualidade notadamente boa ou melhor do que o não sustentável.

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