Construções olímpicas precisam ser pensadas para depois dos jogos

Diretor dos Jogos Olímpicos de Londres, Dan Epstein, afirma que estádio de basquete da Inglaterra poderia ser reutilizado em jogos

Maria Fernanda Ziegler de Castro |

Foco no planejamento é o conselho que Dan Epstein, diretor de sustentabilidade e regeneração urbana dos Jogos Olímpicos de Londres, dá para que um grande evento esportivo seja bem feito de maneira sustentável. Para ele é essencial que haja preocupação com o que vai ser feito com as construções depois dos eventos.

Maria Fernanda Ziegler de Castro
"Queremos construir uma cidade para o futuro e não apenas para os jogos", diz Dan Epstein
Em palestra no Fórum Mundial de Sustentabilidade ele disse que são necessários dois anos de planejamento para então começar a construir e remodelar uma cidade para um grande evento esportivo.
“Construir um estádio de 80 mil lugares terá serventia nas olimpíadas, mas dificilmente será bem usado depois. As construções na cidade foram pensadas para que possam ser adaptadas no futuro”, disse. Seguindo este conceito, o estádio olímpico foi criado com apenas 25 mil cadeiras fixas, depois ele poderá ser desmontado e remodelado de modo mais adequado às necessidades da cidade. “Não precisamos de um estádio de basquete em Londres, nós não gostamos de basquete, podemos vender para o Brasil e mandar por navio”, disse.

Epstein sugeriu que o Brasil deveria criar um Instituto de Sustentabilidade associado aos grandes centros de pesquisa no mundo. Desta forma, poderia atingir a meta - dita pelo governador Sérgio Cabral no dia do anúncio da cidade-sede das olimpíadas de 2016 - de que o Rio teria os jogos ainda mais sustentáveis que o de Londres.
As olimpíadas de Londres tiveram como meta serem as mais sustentáveis da história, para isto Epstein explicou que foram necessárias análises detalhada de como reduzir as emissões de carbono, construir ciclovia, centro de energia renovável, por exemplo. O custo mais que triplicou: o orçamento inicial de 2,4 bilhões de libras passou para 9 bilhões. “Queremos construir uma cidade para o futuro e não apenas para os jogos. Está dentro do custo-benefício”, justificou.

Outra particularidade das olimpíadas de Londres está na valorização do transporte público. “Nós criamos o parque olímpico baseado em transporte público, sem estacionamento e carros. Transporte é sempre um problema em jogos e Londres já tem congestionamento”, disse. Na cidade serão trinta locais onde os jogos vão acontecer. “E muito importante que o transporte seja muito bom. Não pode construir os prédios e não investir em transporte”.

Copa

“ Se eu estivesse trabalhando em São Paulo na organização da Copa, eu estaria muito nervoso”, disse Epstein. Quando perguntado sobre se ele achava viável o prazo de 3 anos para São Paulo construir um estádio para a copa de 2014, o inglês primeiro riu e disse um “é viável” nem um pouco convincente. Em seguida tentou consertar dizendo que a solução seria então chamar uma equipe muito boa e rápida com bons projetistas e bons administradores de projetos.

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