Comissão nos EUA indica reformas para evitar vazamentos de petróleo

Explosão em abril na plataforma Deepwater Horizon matou 11 pessoas

BBC Brasil |

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Um relatório do governo americano sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México recomenda amplas reformas na indústria petrolífera para evitar a repetição do desastre.

O documento foi redigido por uma comissão criada em maio pelo presidente Barack Obama para investigar o acidente e propor mudanças na política governamental para o setor. O documento foi redigido por uma comissão criada em maio pelo presidente Barack Obama para investigar o acidente e propor mudanças na política governamental para o setor.

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O grupo disse que os Estados Unidos precisam expandir e atualizar a regulação da extração de petróleo e criar uma agência independente para monitorar a segurança na atividade.

Acidente
Uma explosão em abril na plataforma Deepwater Horizon matou 11 pessoas e causou um dos maiores vazamentos de petróleo da história.

O acidente fez com que o poço de Macondo, a cerca de 1,6 km da superfície do mar, expelisse milhões de barris de petróleo no golfo, poluindo centenas de quilômetros da costa. O buraco só foi tapado em julho.

O relatório da comissão espalha a culpa pelo desastre, criticando a empresa BP, reponsável pelo poço de Macondo, a Transocean, dona da plataforma, e a Halliburton, que gerenciou a operação de vedação do poço. A comissão diz que as empresas usaram atalhos para economizar tempo e dinheiro - decisões que teriam contribuído para o desastre.

O grupo também critica o governo federal americano, dizendo que a regulação e a legislação para a atividade petrolífera offshore falhou em proteger operários da indústria e residentes da costa do Golfo.

'Cortes de gastos'
"Nossa exaustiva investigação revela que nenhum dos principais aspectos da segurança na extração offshore (nem a regulação, nem os padrões de segurança da indústria, nem a resposta ao vazamento) tiveram o mesmo peso que a busca por petróleo em águas profundas", disse o co-presidente da comissão William Reilly.

O ex-senador pela Flórida Bob Graham, que também integrou o grupo, disse que a investigação mostrou que era possível ter previsto e prevenido o desastre. "A supervisão do governo federal falhou completamente em prover um nível aceitável de proteção para aqueles na plataforma e para os americanos que consideram o golfo sua casa", afirmou Graham em comunicado. O ex-senador também apontou erros nas condutas da BP, Halliburton e Transocean.

O relatório da comissão recomenda:
- Aumentar o orçamento e treinamento para a agência federal que regula a extração offshore;
- Aumentar o selo de proteção para vazamentos quando as empresas operam no mar;
- Destinar 80% das multas e penalidades arrecadadas pelo vazamento para a recuperação do golfo;
- Dar peso maior a opiniões científicas em decisões sobre a extração petrolífera.

Na semana passada, a comissão divulgou um capítulo do relatório em que dizia que as empresas envolvidas no acidente tomaram decisões de cortar custos e economizar tempo que teriam contribuído para o vazamento.

O grupo afirmou que as decisões aumentaram significativamente o risco de que o poço de Macondo explodisse.

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