Comissão diz que empresas tomaram 'decisões ruins' em vazamento no Golfo

De acordo com comissão, as três empresas envolvidas na catástrofe ambiental não tinham cultura de segurança

BBC Brasil |

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A comissão do governo americano que apura o vazamento de petróleo no Golfo do México afirmou nesta terça-feira (9) que as três empresas envolvidas na catástrofe ambiental não tinham “cultura de segurança” e tomaram uma série de “decisões ruins” relacionadas ao caso.

“Aparentemente não havia uma cultura de segurança (no poço). BP, Halliburton e Transocean precisam de uma reforma da cabeça aos pés”, disse William Reilly, copresidente da comissão montada pela Casa Branca para apurar o caso.

A explosão da plataforma Deepwater Horizon, em 20 de abril, resultou na morte de 11 pessoas, no vazamento de cerca de 4 milhões de barris de petróleo e no maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

A petrolífera BP era a operadora do poço, e Halliburton e Transocean eram suas parceiras na exploração.

Neste segundo dia de audiência da comissão, Reilly disse que uma “cultura de complacência” e uma série de “decisões ruins” nas três empresas resultaram no acidente.

Ele também deu a entender que as empresas se apressaram demais para concluir a exploração do poço.
A comissão havia dito que o cimento usado para selar o poço pode ter contribuído para causar a explosão e que as companhias envolvidas tinham feito testes e notado que o cimento estava instável.

Culpa
A fala de Reilly nesta terça contrasta com as declarações, na véspera, do advogado-chefe da comissão, Fred Bartlit, que dissera não ter encontrado provas de que a BP tomou decisões arriscadas ou “sacrificou preocupações de segurança” com o objetivo de economizar dinheiro.

A comissão estatal, formada por sete pessoas, foi incumbida pelo presidente Barack Obama de investigar as causas do acidente. Suas conclusões e recomendações são esperadas para janeiro.

O correspondente da BBC em Washington Paul Adams relata que ainda é cedo para que qualquer envolvido no vazamento sinta que está livre de culpa.

Também nesta terça, o ex-executivo-chefe da BP Tony Hayward admitiu, em entrevista à BBC, que a petrolífera não estava “preparada” para lidar com o vazamento e com o “frenesi midiático” que se seguiu.

“O plano de contingência da BP era inadequado. Era feito por nós no dia a dia”, disse o executivo. “Fizemos uma engenharia extraordinária, mas (diante da imprensa) tudo parecia como um descuido e incompetência.”

Hayward, que ficou famoso por ter dito que queria sua “vida de volta” enquanto lidava com o vazamento, deixou o comando da BP em outubro.

O poço danificado foi definitivamente selado em setembro.

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