Clinton cobra do Brasil caminhos para um planeta mais sustentável

Ex-presidente americano falou em Manaus que apoia a entrada do País no Conselho de Segurança da ONU

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Manaus* |

Uehara Fotografia
Bill Clinton discursa no Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus
O ex-presidente americano Bill Clinton elogiou o Brasil e também cobrou medidas para que o país tome frente das questões ambientais no planeta. Durante evento sobre sustentabilidade, em Manaus, Clinton falou mais de uma vez que o mundo precisa do Brasil.

Para ele, embora o país tenha feito muito com a redução do desmatamento e o aumento do uso do etanol, é preciso fazer mais dada a importância da floresta amazônica para as mudanças climáticas. Clinton quer que o desmatamento chegue a zero.

“Eu não posso imaginar como vamos começar a pensar em um planeta sustentável a não ser que o Brasil aponte o caminho”, disse o ex-presidente. O motivo, de acordo com Clinton, está em três fatos: na liderança da maior floresta do mundo, ser o país que mais produz etanol em termos de eficiência de combustível – os Estados Unidos produzem mais, mas o etanol do americano não é tão eficiente quanto o brasileiro. O terceiro motivo está no aumento no número de carros híbridos no Brasil e com isto a menor necessidade de petróleo.

No entanto, Bill Clinton afirmou que é preciso olhar para os quatro países que conseguiram cumprir as metas de redução das emissões de carbono – Brasil, Reino Unido Suécia e Alemanha – e compreender o que eles fizeram para alcançar o feito. A resposta está no melhor uso das fontes energéticas. “Todos tomaram caminhos diferentes e conseguiram”, disse.

C

linton citou a redução do uso de carvão no Reino Unido, o subsídio à energia fotovoltaica na Alemanha e o aumento da eficiência energética da Suíça.

“Cada país no mundo pode achar a sua maneira sustentável de ganhar a vida. Precisamos planos customizados em cada um dos países para permitir que as pessoas não tenham problema, enquanto cuidem mudanças climáticas. As regras são diferentes em cada lugar.”

Sobre a construção da usinas hidrelétricas de Belo Monte, Clinton foi político. “Eu não sei como vocês vão resolver este problema. Vocês precisam de mais fonte de energia e que ela seja limpa. Mas o mundo inteiro precisa que vocês resolvam este problema.” Logo depois Clinton falou da eficiência e do baixo custo da energia solar.

O ex-presidente também falou que se pudesse decidir, fecharia todos os aterros do mundo, coletaria os materiais recicláveis e queimaria este lixo e transformaria em energia. “O custo pode ser significativo. Vocês têm muitas cidades com mais de 300 mil habitantes”, disse.

Outro momento de esquiva de Clinton foi quando o governador do Amazonas, Omar Aziz (PMN), convidou a Clinton Foundation para vir trabalhar no Estado. “Adoraria ter a oportunidade de trabalhar com vocês, mas vocês já fizeram muito e eu tenho muito a aprender”, disse num sutil e eficiente aceno de recusa.

Clinton ainda disse que acha que Brasil, Índia e Japão devem estar no Conselho de Segurança da ONU para renová-lo.

*A repórter viajou a convite da organização do evento.

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