Cientistas buscam 100 espécies de anfíbios 'desaparecidos'

Classe de animais é apontada como a mais ameaçada do mundo

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Sapo dourado tornou-se o símbolo de campanhas
Cientistas da União Internacional para a Conservação da Natureza – organização que reúne diferentes ONGs e agências de governo – percorrerão, nos próximos dois meses, 14 países da Ásia, África e América Latina, em busca de espécies de anfíbios tidas como desaparecidas, como diversos sapos, rãs e salamandras.

Os anfíbios são animais mais ameaçados do planeta. Muitos já sumiram do mapa e um terço deles corre risco de extinção.

O cientista responsável pelo projeto, Robin Moore diz acreditar que os pesquisadores encontrarão boa parte das cerca de cem espécies desaparecidas incluídas no projeto.

"Tenho esperança de que muitas espécies que imaginamos extintas estejam vivas", diz ele.

"Há dois anos, estive no Equador com uma equipe de cientistas locais, para procurar espécies que não eram vistas em doze anos. Nós não tínhamos muita esperança, mas encontramos sapos que imaginávamos estar extintos", completa.

Ameaças

A maior ameaça aos anfíbios é a perda de seu habitat natural em decorrência do desmatamento e da drenagem de regiões pantanosas.

Mas a expedição da Conservation International vai se concentrar em espécies atingidas por uma nova ameaça: a doença causada pelo fungo chytrid, conhecida como chytridiomycosis, até agora sem forma de prevenção.

Embora algumas espécies sejam imunes, outras sucumbem rapidamente ao fungo. Foi o caso, por exemplo, do famoso sapo dourado (foto), espécie abundante que desapareceu em pouco mais de um ano – o último indivíduo registrado foi visto em 1989.

O sapo dourado tornou-se o garoto propaganda das campanhas pela proteção dos anfíbios. Se encontrado, traria grande incentivo à busca de novas espécies. Tal possibilidade, porém, é considerada pequena pelos cientistas envolvidos no projeto.

Os pesquisadores também vão procurar os chamados gastric-brooding frog (rã de incubação gástrica), da Austrália – únicos animais do mundo capazes de incubar girinos no próprio estômago.

Para a incubação, as rãs interrompem a produção de ácido gástrico. Esse mecanismo, se compreendido, poderia ajudar no desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de úlceras.

Mas as pesquisas se tornaram inviáveis em 1985, com o desaparecimento da espécie – provavelmente outra vítima da chytridiomycosis.

Preservação

A equipe de cientistas também buscará exemplares de espécies em países como Israel, na República Democrática do Congo e em Ruanda. Em cada área, os cientistas permanecerão por período entre uma semana e dois meses.

Caso sejam encontrados anfíbios desaparecidos, a Conservation International pretende implementar medidas para sua preservação.

Os resultados do estudo devem ser divulgados antes da Convenção da Biodiversidade, que será promovida pela ONU no Japão em outubro.

Na ocasião, governos vão discutir as razões que impediram o cumprimento de promessas feitas em 2002 para redução significativa da perda de diversidade biológica do planeta até 2010.

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