Cientistas armazenam sementes para salvar orquídeas da extinção

Embora existam no mundo cerca de 35 mil espécies da planta, um grupo de 250 foi identificado como de alto risco de extinção

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Sociedade com integrantes de vários países tem quer garantir que a humanidade continue a conviver com as orquídeas
As orquídeas que repovoarão as florestas do futuro dormem nos tubos de vidro de câmaras climatizadas a -20°C e mantidas por uma peculiar sociedade de cientistas do mundo todo.
O projeto "Armazenamento de Sementes de Orquídeas para Uso Sustentável" (OSSSU, na sigla em inglês) é mantido por cientistas de 23 países da América, Ásia e Europa, que estão reunidos até sexta-feira na Costa Rica.

Sua missão é garantir que, apesar da exploração comercial abusiva e dos embates em torno do aquecimento global, a humanidade continue convivendo com estas flores daqui a 100 ou 200 anos.

O pesquisador Hugh Pritchard, um dos pais da ideia e cientista do Millenium Seed Bank Project do Reino Unido, explicou que o objetivo da iniciativa é construir uma rede de bancos de sementes ao redor do globo, para garantir a preservação - numa primeira etapa - de 250 espécies de orquídeas.

Embora existam no mundo aproximadamente 35.000 espécies de orquídeas, um grupo de 250 foi identificado como de alto risco de extinção, por diferentes fatores, segundo o especialista.

“Um destes fatores é a extração em excesso de espécies das florestas para fins comerciais; outro são as mudanças climáticas, que devem acelerar o desaparecimento de muitas espécies nos próximos 40 anos", indicou Pritchard.

Fundamentalmente, o OSSSU prevê que os representantes de cada país coletem grandes quantidades de sementes de suas espécies nativas e as encaminhe para armazenamento, onde são mantidas a 20 graus abaixo de zero.

“As sementes servirão no futuro para projetos de reintrodução de espécies, restauração de hábitats e outros usos sustentáveis", destacou Pritchard.

Uma vantagem das orquídeas é que suas sementes são bem pequenas, e por isso podem ser armazenadas aos milhões em uma pequena câmara de refrigeração.

O biólogo equatoriano Eduardo Sánchez explicou que a equipe de cada país está dando enfoques próprios ao projeto, de acordo com suas necessidades e as características de sua experiência.

No Equador, por exemplo, a Universidade de Cuenca decidiu plantar 35.000 mudas das espécies mais valorizadas no comércio, das quais 10.000 serão vendidas a preços muito baixos com o objetivo de saturar o mercado.

As outras 25.000 serão colocadas em árvores na beira de rios, em jardins botânicos e no próprio campus da universidade. A ideia é estimular o apreço pelas plantas e o apego à preservação, assim como favorecer o turismo.

Nas Filipinas, há espécies nativas que servem de base para a criação de híbridos, que são reproduzidos às dezenas de milhões com fins comerciais, fazendo com que algumas destas variedades nativas tenham chegado à beira da extinção total, alertou Lilian F. Pateña, professora da Universidade das Filipinas.

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