Chuva ácida volta a preocupar cientistas

Desta vez, o problema está nas emissões de óxidos de nitrogênio em países da Europa e nos Estados Unidos

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Um problema antigo volta a preocupar cientistas no Primeiro Mundo. A chuva ácida voltou a ser detectada na Europa e nos Estados Unidos, só que desta vez ela está sendo provocada por substâncias diferentes. Diferentes tipos de óxidos de nitrogênio liberados na atmosfera por termoelétricas, fertilizantes agrícolas e veículos automotivos quando combinados com a água da chuva produzem ácido nítrico (HNO 3 ), que provoca desequilíbrios no solo, chegando a matar plantas, peixes e insetos, se firmando como um grave risco ambiental. A substância também contribui para o aumento no solo de minerais tóxicos como o alumínio, que quando carregado pelo curso dos rios é altamente tóxico para espécies aquáticas.

De acordo com William Schlesinger, presidente do Cary Institute, que estuda o retorno da chuva ácida, o ácido nítrico pode ser tão prejudicial para o meio ambiente quanto o óxido de enxofre foi na década de 70. Os óxidos de nitrogênio também eram emitidos naquela época, mas agora sua emissão está maior. “Conforme as emissões de dióxido de enxofre (SO 2 ) foram caindo, há 30 anos, as de óxidos de nitrogênio foram crescendo na atmosfera”, disse ao iG Schlesinger. Outra diferença é que os óxidos de nitrogênio se dispersam na atmosfera com um pouco mais de facilidade que os de enxofre, de acordo com o professor.

Dados da agência americana de proteção ambiental (EPA) afirmam que as emissões de dióxido de enxofre diminuíram quase que 70% de 1990 a 2008. Já as emissões de dióxido de nitrogênio diminuíram apenas 35% no mesmo período. O composto começa a substituir o ácido sulfúrico como novo vilão do meio ambiente.

Na Europa, muitos países também não conseguiram atingir as metas de poluição do ar por nitrogênio acordadas no Protocolo de Gotemburgo, de 1999, sobre a diminuição de emissões atmosféricas.

Questão antiga
Há 30 anos a chuva ácida, junto com o buraco da camada de ozônio, era o principal problema ambiental do mundo. Os primeiros registros de danos na vegetação e saúde provocados por emissões de termoelétrica datam de 1661 na Inglaterra e França.

A maior tragédia com chuva ácida aconteceu na cidade de Londres em dezembro de 1952, quando condições da atmosfera impediram a dispersão de poeira presente no ar. Cerca de quatro mil pessoas morreram ao respirar ar que continha alta quantidade de enxofre, presente na atmosfera por conta da queima de carvão. 

Na década de 60, estudos norte-americanos já mostravam que a água da chuva estava de 100 a 1000 vezes mais ácida no leste americano devido as emissões de óxidos de enxofre e também de nitrogênio por conta de termoelétricas.

De acordo com a professora Adalgiza Fornaro, do Instituto de Química da USP, o fenômeno da chuva ácida continua a existir em diferentes regiões do planeta. “No Brasil temos pouca emissão de enxofre em comparação com os outros países, pois 70% de nossa energia provêm de hidrelétrica”, disse. Em relação aos óxidos de nitrogênio, a professora afirma que também não temos a mesma tendência que os países desenvolvidos. “Para a gente não é tão forte quanto lá”, disse.

Dados do estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, apresentados pelo IBGE na quarta-feira, mostram que, na maior parte das regiões metropolitanas do país, a concentração de poluentes do ar está estável ou em declínio, e isto inclui gases como o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio.

No País, uma das piores tragédias relacionadas à chuva ácida aconteceu em Cubatão entre 1984 e 1985, quando a concentração de sulfato atingiu níveis muito altos nas águas das chuvas. Ainda assim, tecnicamente elas não foram consideradas como chuvas ácidas, pois o pH da água estava alto, o que fez com que ela ficasse alcalina. A causa da concentração de ácidos de enxofre em Cubatão se deu por causa da emissão de indústrias da região.

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