China e EUA criticam plano europeu de taxar emissões de CO2 em aviões

Corte Europeia considerou que obrigação de comprar cotas de dióxido de carbono está de acordo com o direito internacional

AFP |

A China declarou nesta quinta-feira (22) ser hostil à "legislação unilateral" da União Europeia (UE) que planeja obrigar as companhias aéreas, inclusive as estrangeiras, a comprar cotas de CO 2 para seus voos no território do bloco europeu.

"Nos opomos à legislação unilateral imposta pela UE", declarou Liu Weimin, porta-voz da chancelaria chinesa.

A China "espera que a UE atue com prudência adotando uma posição pragmática graças a consultas adequadas com China e as outras partes", completou Liu.

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Em 2008, a UE decidiu obrigar todas as companhias aéreas, incluindo as estrangeiras que passarem por seu território, a comprar o equivalente de 15% de suas emissões de CO 2 a partir de 1º de janeiro de 2012, com o objetivo de combater o aquecimento global.

"Os Estados Unidos têm fortes objeções" sobre as novas medidas da UE para impor suas próprias políticas a outros países, informou o Departamento de Transporte em comunicado.

"Os Estados Unidos dispõem de um certo número de possibilidades" para rebatê-las, completou, sem dar mais detalhes sobre os recursos aos quais recorrerão.

A Corte Europeia de Justiça considerou na quarta-feira que a obrigação de comprar cotas de CO2 está de acordo com o direito internacional e rejeitou os argumentos de companhias aéreas americanas que apresentaram um recurso.

Esta medida da UE ameaça desatar uma guerra comercial com Estados Unidos e China.

Os Estados Unidos disseram na quarta-feira ter "fortes objeções" quanto à nova política da União Europeia de limitar as emissões de dióxido de carbono (CO 2 ) dos aviões em seu espaço aéreo, e assegurou que analisa formas de resolver o diferendo.

Foram estipuladas sanções de 100 euros por tonelada de CO2 e uma proibição de voo na UE para as companhias que não cumprirem.

O Departamento de Transporte lembrou que enviou uma carta conjunta "na semana passada", com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, aos ministérios e líderes da UE para protestar contra a entrada em vigor dessa política.

"A carta pedia à UE para pôr fim, ou ao menos atrasar ou suspender, a aplicação da política, e a retomar o diálogo com o restante do mundo para encontrar uma solução para essa importante problemática dentro da Organização Internacional de Aviação Civil", informou o Departamento de Transporte.

A agência Xinhua afirmou em um comentário publicado nesta quinta-feira que a medida europeia assemelha-se a um "protecionismo verde".

Esta legislação "avança sobre as soberanias nacionais, viola os tratados aéreos internacionais e terminará em uma guerra comercial na indústria aérea", disse a agência oficial.

Um responsável da Associação Chinesa de Transporte Aéreo (Cata) pediu ao governo que tome "medidas de retaliação" comercial, informaram jornais estatais.

No fim de setembro, a China já tinha se declarado hostil "à aplicação pela força da UE de uma legislação unilateral". Pequim também ameaçou a UE com retaliaçõs comerciais, particularmente contra a fabricante de aeronaves Airbus.

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