Casa Branca e BP são cautelosas quanto a contenção do vazamento

Vice-presidente da petroleira afirma que a pressão dentro do poço aumenta progressivamente de acordo com o esperado

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Barcos operam, nesta sexta-feira (16/07), perto da plataforma Deepwater Horizon
A Casa Branca e a British Petroleum (BP) expressaram hoje um cauteloso otimismo no segundo dia sem vazamento de petróleo no Golfo do México em meio a sinais de que a tampa colocada sobre o poço funcionou conforme o previsto. A BP selou ontem o poço por meio de um obturador instalado sobre o sistema de prevenção de explosões (BOP), um complexo sistema de válvulas para interromper o vazamento surgido a partir da explosão da plataforma operada pela empresa em 20 de abril, quando 11 funcionários morreram

Kent Wells, vice-presidente da BP, disse hoje em entrevista coletiva por telefone que a pressão dentro do poço aumenta progressivamente de acordo com o esperado, embora tenha detalhado que são necessárias outras análises adicionais.

A pressão alta é uma boa notícia, pode ser um indício de que o poço está em bom estado. Wells assinalou que uma das principais preocupações é a possível presença de fugas no encanamento para o mar, embora tenha mencionado que as leituras de pressão obtidas após o fechamento das válvulas são positivas.

Os testes que são realizados podem ser prolongados pelo período de 48 horas, um prazo que começou às 16h25 (de Brasília) da quinta-feira, quando o petróleo deixou de fluir.

O diretor explicou que o fato de que a pressão aumente dentro do tampão colocado sobre o obturador é um sinal de que o petróleo não está emanando por outro lado.

"A pressão que vemos é consistente com as análises de engenharia da BP", indicou Wells, quem assinalou que se trata de um aumento "muito estável".

Acompanhe a evolução da mancha de óleo no infográfico do iG

Uma vez concluídos os testes de pressão, a BP e o Governo teriam a opção de deixar o poço fechado à espera da conclusão da construção de um alternativo que é apontado como a solução definitiva para o desastre ecológico no Golfo.

Mesmo assim, a alternativa mais provável, a julgar pelas declarações na quinta-feira do almirante da Guarda Litorânea, Thad Allen, é a de abrir o obturador e permitir que o petróleo flua pelas tubulações de contenção.

A bomba tem capacidade para abrigar até 80 mil barris de petróleo, que são transferidos para vários navios na superfície por meio de encanamentos.

Pelas últimas estimativas oficiais, o poço ficou expelindo petróleo para o mar a um ritmo entre 35 mil e 60 mil barris diários.

BP e o Governo poderiam voltar a ativar o sistema em caso de um furacão obrigar ao deslocamento dos navios contêineres na superfície, o que evitaria que o combustível fluísse livremente para o mar em caso de tempestades.

"É uma boa notícia, já que conseguimos deter o fluxo", disse hoje o presidente dos EUA, Barack Obama, durante breves declarações no jardim da Casa Branca.

"Ao colocar esta tampa, o petróleo não pode estar saindo por outro lado, o que poderia ser ainda mais catastrófico", chamou atenção o presidente americano.

Mesmo assim, aconselhou cautela porque o problema não está totalmente resolvido até que não se materialize "a solução definitiva", ou seja, o poço alternativo.

"Avançamos nessa direção, mas não quero que nos precipitemos", alertou o governante da Casa Branca.
Obama adiantou que as tarefas de perfuração do novo poço "estão ligeiramente mais velozes do que o previsto", mas alertou que "não se trata só de fazer o buraco", mas também de instalar as peças para que o equipamento possa começar a funcionar "e isso é delicado".

Bobby Jindal, governador da Louisiana, um dos quatro estados afetados pelo vazamento, junto com a Flórida, Mississipi e Alabama, assegurou em comunicado estar "cautelosamente otimista" diante dos últimos avanços.

Obama lembrou hoje que embora a última tentativa da BP tenha alcançado êxito ainda restam pela frente todas as atividades de limpeza, um trabalho que descreveu como "urgente" e que poderá se prolongar durante anos.

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