Carbono e taxa cambial podem financiar ação climática

Segundo estudo, taxa cambial poderia gerar até 27 bilhões de dólares e imposto sobre aviação, 3 bilhões de dólares

Reuters |

A comercialização de créditos de carbono e a imposição de taxas sobre transações cambiais estão entre as origens sugeridas para a verba de 100 bilhões de dólares por ano que os países pobres esperam receber a partir de 2020 para o combate e adaptação à mudança climática, segundo um esboço feito por consultores da ONU ao qual a Reuters teve acesso com exclusividade na sexta-feira (29).

O documento mostra que o grupo presidido pelos primeiros-ministros Jens Stoltenberg (Noruega) e Meles Zenawi (Etiópia) admite que tanto o setor público quanto o privado terão de oferecer recursos.

Nações industrializadas se comprometeram no ano passado numa cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhague, na Dinamarca, com a meta de 100 bilhões de dólares anuais a partir de 2020 para a ajuda climática aos países em desenvolvimento.

Um grupo de especialistas foi então criado pela entidade para sugerir como fazer isso.

Segundo o texto preliminar, a taxa cambial poderia gerar 2 a 27 bilhões de dólares; uma taxa sobre navegação renderia 4 a 9 bilhões de dólares; o imposto sobre aviação contribuiria com 2 a 3 bilhões; 3 a 8 bilhões viriam da retirada de subsídios a combustíveis fósseis; e 8 a 38 bilhões de dólares seriam oriundos de leilões de créditos para a emissão de carbono.

O relatório de 35 páginas, redigido pouco antes da reunião final do grupo, ocorrida em 12 de outubro na Etiópia, apresenta diversas opções de financiamento, e diz que parte da verba seria na forma de empréstimos, e não de doações.

Mas o texto admite que há objeções a várias das sugestões, como a imposição de um imposto de 0,001 a 0,01 por cento sobre as transações cambiais que, segundo estimativas, podem alcançar 756 trilhões de dólares em 2020.

"A falta de aceitabilidade política e questões não resolvidas sobre a incidência dos países em desenvolvimento ... dificultam sua implementação universal", diz o texto.

Outra possibilidade citada no documento, mas também considerada politicamente improvável, é o uso de verbas dos Direitos Especiais de Saque, uma reserva do FMI. Essa ideia foi lançada no ano passado pelo investidor George Soros.

Ainda segundo o documento, o mercado dos créditos de carbono, levando em conta um valor de 20 a 25 dólares por tonelada de dióxido de carbono emitido em 2020, é um "elemento chave" para alcançar a cifra anual de 100 bilhões de dólares.

O grupo apresentará a versão final do texto na quinta-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Em meio a problemas orçamentários, os países desenvolvidos relutam em tirar dos seus cofres a verba climática para as nações em desenvolvimento. Mesmo assim, o documento diz que a liberação de 100 bilhões de dólares por ano seria "desafiadora, mas factível" -- frase já usada por Stoltenberg após a reunião final em Adis Abeba.

Alguns países em desenvolvimento e grupos ambientais querem que todo o dinheiro seja na forma de doações governamentais, em vez de partir do setor privado ou chegar na forma de empréstimos.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG