Brasil recicla 45% do seu papel, mas há déficit na coleta, apontam entidades

O Brasil recicla 3,6 milhões de toneladas de papéis por ano, 45% de todo o lixo reciclável gerado, aponta a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). A atividade tem crescido nos últimos 10 anos. Em 1999, reciclava 37%. Ainda assim, algumas entidades e ONGs indicam que há déficit na coleta das aparas (papéis usados). Os dados são de 2008.

Bruno Rico, repórter do Último Segundo |

A Associação dos Aparadores de Papel (Anap) concorda com a reclamação. Nós não temos quantidade suficiente para cobrir a demanda, afirma o presidente Manuel Padreca. Atualmente, as fábricas se concentram em São Paulo (35,3%), Santa Catarina (20,08%), Paraná (11,9%) e Minas Gerais (11,8%). Existem, no País, cerca de 128 empresas recicladoras, que compram mais do que a metade do total de fibras, e outras 19 que concentram os menores volumes.

André Vilhena
Cooperativa de Catadores em São Paulo

André Vilhena, diretor da Associação empresarial dedicada à promoção da reciclagem e gestão integrada do lixo (Cempre), explica que grande parte da coleta está concentrada no trabalho dos catadores de lixo das ruas. Catador é o padrão para coleta. O grosso da coleta vem dele. Para cada uma tonelada que a prefeitura coleta, cinco toneladas são feitas pelo catador. Mas o trabalho é muito focado em papelão, que é o que encontram na rua. O catador não pega papel branco. Pega papelão, afirma Manuel Padreca. Segundo ele, o papel branco muitas vezes acaba no lixão. A grande maioria dos papéis sulfite viram arquivo ou vão para o lixão.

Os papéis usados ondulados (papelão) ocupam 63,6% de toda a reciclagem. Papéis brancos representam apenas 12,5% e papéis de jornais, 4,4%. A Anap estima que existam cerca de 800.000 catadores no país. O preço pago aos catadores pela tonelada de papelão é muito baixo. Varia de R$ 100 e R$ 216. Tudo depende da demanda das fábricas. Para o papel bom (branco), se pagava R$ 700 a tonelada ano passado, mas  agora só estão pagando R$ 400, afirma André Vilhena.

Luciana Ziglio
Curso de capacitação para catadores

Reciclado mais caro

Em média, um pacote de folhas sulfites reciclado é 15% mais caro do que o papel virgem. O dado impressiona, pois tanto o processo como a matéria-prima para a reciclagem é mais simples do que o do papel novo.

Manuel Padreca explica que as empresas de reciclagem pagam os mesmos impostos que uma empresa de papel virgem. A gente quer buscar a destributação do papel reciclado. Ele justifica que, na produção do papel virgem, rodam 2000 metros por minuto. Já, na produção do papel ondulado (reciclado), apenas 400 metros seriam rodados por minuto.

Há, também, uma outra questão, mais delicada. Algumas marcas de papel teriam explorado o marketing ambiental e vendido papéis reciclados com, na verdade, menos de 10% de reciclagem e o resto, de papel virgem. Com isso, estariam aproveitando, inclusive, os preços mais altos. Tem empresa que vende papel reciclado com 5% de reciclagem, disse a coordenadora de certificação da Imaflora, Evelin Fagundes dos Santos. A empresa faz a certificação dos papel e imprime uma selo (FSC) que garante que a reciclagem tenha, no mínimo, 85% de aparas pós-consumo.

A Anap está preocupada com a questão também. Estamos definindo com Abtcp, em votação pública, para definir o que é papel reciclado. Vai ter que ser acima de 50%. Temos que ter ferramentas certas para competitividade, explica Manuel Padreca.

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