BP termina fechamento do poço no Golfo do México

Equipes finalizaram a injeção de cimento no poço de petróleo que vaza há mais de 100 dias no Golfo do México

iG São Paulo |

AFP
Navios injetam lama e cimento no poço da Deepwater Horizon, no Golfo do México
A British Petroleum concluiu nesta quinta-feira (5/08) a injeção de cimento no poço danificado no Golfo do México, depois de uma operação de cinco horas. Com isso espera colocar um ponto final no pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

Acompanhe a evolução do vazamento no Golfo do México no infográfico do iG

Em comunicado, a companhia anunciou que as equipes começaram a injetar cimento no poço às 9h15 local (11h15, Brasília), através de encanamentos conectados a navios situados na superfície, com o objetivo de "bloquear e isolar o petróleo".  As equipes terminaram os trabalhos de fechamento por volta das 14h15 locais (17h15), cinco horas após começar a injetar cimento por meio de canos ligados a navios na superfície, confirmou a companhia em seu site.

No entanto, o almirante Thad Allen, que coordena a resposta ao acidente por parte do Governo dos EUA, disse nesta quinta que o fechamento "não é o fim" da catástrofe que devastou as águas do Golfo, mas "um passo chave para assegurar que não vaze mais petróleo para o oceano".

Especial: o futuro ambiental do Golfo do México

Especial: Vazamento do Golfo do México completa três meses sem respostas

Allen deu sinal verde à BP para começar a introdução de cimento no poço na quarta-feira, horas depois que a companhia anunciou o êxito da primeira fase da estratégia de selamento do poço. Essa operação, iniciada na terça-feira e conhecida como "static kill" (eliminação estática), consiste em empurrar o petróleo rumo ao fundo do depósito com a injeção de mais de 2,3 mil barris de lodo pesado, administrados de forma gradual para evitar um aumento excessivo da pressão no poço.

Os engenheiros que trabalham na operação preferiram fazer o fechamento do depósito sem esperar que terminem os trabalhos de escavação de um poço auxiliar, considerado a solução definitiva do acidente. O poço auxiliar, de 5,5 mil metros de profundidade, permitirá enclausurar a parte inferior do depósito que produziu a maré negra mediante um procedimento batizado de "bottom kill" (eliminação desde o fundo), através de uma nova injeção de lodo pesado e cimento.

Allen indicou na quarta-feira que o Governo não aceitará de "maneira nenhuma" que a execução do selamento com cimento atrase a escavação do poço auxiliar. A cimentação desse poço auxiliar, prevista pela BP para o dia 15 de agosto, será o início da verdadeiramente última fase da operação para fechar o poço, que jogou 4,9 milhões de barris de petróleo no oceano desde abril, quando uma plataforma da companhia entrou em colapso e caiu sobre o depósito.

Ao menos 74% do total do petróleo liberado no oceano desde então foi recolhido, queimado, evaporado ou decomposto por processos naturais, segundo um relatório científico apresentado na quarta-feira à assessora de energia da Casa Branca, Carol Browner.

No entanto, segundo Browner, as tarefas de limpeza e "a ajuda da mãe natureza" serão cruciais nos próximos meses para neutralizar o óleo que segue no litoral e o que flutua de maneira residual em partículas microscópicas no oceano.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou na quarta -feira que a luta para conter o vazamento "finalmente está chegando a seu fim" e elogiou os esforços para frear a maré negra.

Mais de três meses depois do acidente que produziu o vazamento e após quatro tentativas fracassadas de deter o fluxo de petróleo, o otimismo do Governo coincide com o das equipes da BP.

No entanto, Allen assinalou nesta quinta-feira que a administração "continuará os esforços de compensação" aos afetados nos estados do sudeste do país e seguirá pressionando a BP para que assuma "toda sua responsabilidade" no desastre.

Os engenheiros responsáveis pela injeção de lama pesada ainda devem determinar se existe algum tipo de vazamento no exterior do poço principal, um processo que exige complicadas mensurações das oscilações de pressão dentro do poço danificado.

"Parece que a lama que bombeamos passou diretamente pelo poço", disse na quarta-feira Kent Wells, vice-presidente executivo da BP. "Chegamos a um bom ponto, mas agora é preciso fazê-lo permanente", ressaltou.

A catástrofe custará milhões de dólares para a BP, aos quais se soma o desprestígio causado pelas tentativas falhas de frear o derramamento e os erros de comunicação de seu presidente, Tony Hayward, que anunciou sua demissão para outubro.

Caso seja considerado culpado por negligência, o grupo poderá ter de pagar até 17,6 bilhões de dólares de multa. Também está previsto um fundo de 20 bilhões de dólares para indenizar pessoas físicas ou empresas afetadas.

(Com informações da EFE e  AFP)

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG