BP nega acusações de negligência feitas por parceiro

Presidente da Anadarko Petroleum, que detinha 25% da plataforma que afundou, criticou as ações da BP em relação ao vazamento

BBC Brasil |

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Imagem submarina da manhã de sábado (19) mostra que o vazamento no Golfo ainda não está controlado
A petroleira britânica BP rejeitou as acusações feitas por uma de suas empresas parceiras, a Anadarko Petroleum, de que a forma com que vem lidando com o vazamento de petróleo na plataforma no Golfo do México é "extremamente negligente".

A BP diz que "discorda fortemente" da Anadarko Petroleum, que disse ainda que o comportamento da empresa britânica foi negligente também antes da tragédia.

A Anadarko, a maior companhia independente de petróleo e gás operando no Golfo, detém 25% da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu no dia 20 de abril, matando 11 trabalhadores.

Veja a evolução do vazamento de petróleo no Golfo no infográfico do iG

A BP vem sendo cada vez mais criticada pela forma com que vem lidando com o que se tornou o pior desastre ecológico da história dos Estados Unidos, enquanto o vazamento continua e completa dois meses neste domingo, apesar de todos os esforços para contê-lo.

O presidente da BP, Carl-Henric Svanberg afirma que ela continua sendo uma "companhia forte", apesar do "revés" causado pelo vazamento.

Svanberg disse ainda que o diretor-executivo da petroleira, Tony Hayward, estava repassando a tarefa de monitoramento diário dos acontecimentos na plataforma para o diretor-gerente Bod Dudley.

O anúncio ocorreu um dia após Hayward ter sido sabatinado pelo Congresso americano, que acusou a companhia de ter ignorado potenciais perigos ao perfurar no Golfo.

Responsabilidade
O diretor-executivo da Anadarko Petroleum, James Hackett, disse estar considerando "reparações contratuais" para o que a companhia classificou de "extrema negligência ou má administração deliberada" em relação ao vazamento.

"As provas cada vez mais numerosas demonstram claramente que esta tragédia poderia ter sido evitada e é resultado direto das decisões e ações negligentes da BP", afirmou.

Hackett acrescentou que a Anadarko teria agido de forma diferente em relação à explosão de abril, mas disse que a empresa "se recusa a aceitar responsabilidade nos custos de remoção da mancha de óleo de prejuízos", apesar de um acordo por escrito de que as partes dividiriam os custos de qualquer limpeza após um vazamento.

A BP disse na quarta-feira que esperava que seus parceiros na plataforma - que incluem a Anadarko e a Mitsui, esta última com uma parcela de 10% - cumprissem suas obrigações legais.

O presidente americano Barack Obama prometeu fazer a BP pagar pelo prejuízo e uma investigação criminal está sendo realizada, que pode resultar em multas de bilhões de dólares.

A BP concordou em separar US$ 20 bilhões para compensar as vítimas do vazamento de petróleo - e prometeu ajudar na limpeza.

Um dispositivo sobre o poço danificado, que está a cerca de 1,5 mil metros de profundidade, tem conseguido coletar apenas em torno de 25 mil barris por dia.

O volume coletado ainda é insuficiente para interromper o vazamento, estimado entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo por dia.

Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Moody rebaixou o nível de crédito da BP em três pontos, seguindo atitudes semelhantes das outras duas agências de classificação de risco durante a semana.

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