BP inicia testes com novo funil de contenção do vazamento

Testes haviam sido atrasados em um dia para revisão dos procedimentos de segurança

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Navios operam na zona do desastre do Horizon Deepwater, no Golfo do México

A empresa britânica BP recebeu sinal verde nesta quarta-feira (14) para iniciar os testes com um novo funil destinado a recolher todo o petróleo que vaza no fundo do mar no Golfo do México, e a operação vai começar em breve, informaram as autoridades americanas.

Engenheiros da companhia petroleira britânica British Petroleum fizeram testes cruciais de pressão que permitiriam, finalmente, selar o poço danificado causador da maré negra no Golfo do México. Ele estava previsto para ontem, mas foi adiado em 24 horas para rever os procedimentos de segurança e garantir a segurança dos técnicos.

Acompanhe a evolução da mancha de óleo no infográfico do iG

Assim, engenheiros realizaram checagens finais e estudaram como analisar todas as leituras de pressão enquanto se preparavam para fechar três válvulas do gigantesco funil de 75 toneladas que foi posicionado sobre o duto danificado na segunda-feira (12).

Assim que as válvulas forem fechadas, nem uma gota de petróleo será liberada no mar do Golfo pela primeira vez desde que a plataforma Deepwater Horizon afundou, 83 dias atrás.

O procedimento precisa ser feito com muito cuidado, uma vez que as autoridades temem que, se houver um vazamento no buraco do poço, que se estende por 4 km abaixo do leito marinho, danos maiores poderiam ocorrer.

No pior dos casos, a enorme pressão causada pela interrupção do fluxo poderia fazer o petróleo escapar por um novo buraco no leito marinho, agravando assim o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

Em um sinal dos grandes riscos envolvidos na operação, o oficial americano encarregado da resposta ao desastre, o almirante da Guarda Costeira Thad Allen, atrasou o teste depois de se reunir, na terça-feira, com o Secretário de Energia Steven Chu, ganhador do Nobel de Física, e com outros especialistas.

Ele também ordenou que fosse suspensa preventivamente a perfuração de um poço auxiliar situado a apenas 1,2 metro de distância do danificado até que o teste de integridade fosse concluído.

O dispositivo da BP, que contém três válvulas gigantes, foi baixado na segunda-feira e acoplado ao duto rompido quase 1,6 km abaixo do nível do mar, onde apenas robôs submarinos conseguem trabalhar.

Assim que receberem o sinal verde, os engenheiros da BP vão, gradualmente, fechar as válvulas para interromper o vazamento, em uma operação que deve demorar entre 6 e 48 horas.

Durante este período, restará aos engenheiros cruzar os dedos para que sejam feitas leituras de alta pressão, as quais demonstrariam a inexistência de vazamento no poço. Se estas leituras forem prolongadas e durarem 48 horas ou talvez mais, as autoridades devem decidir manter as válvulas fechadas, selando o poço de uma vez por todas.

Allen explicou que se as leituras se situarem entre 8.000 e 9.000 psi, segundo a medida de pressão do sistema anglo-americano (entre 551,58 e 620,53 Bar, aproximadamente), isto indicaria que o poço está seguro.

Uma baixa pressão, ao contrário, indicaria que o petróleo está saindo pelo invólucro externo do poço, forçando a reabertura imediata das válvulas para reduzir o risco de maiores danos ao poço ou até mesmo um novo vazamento no leito marinho.

Embora operações de contenção tenham que ser aplicadas neste ponto, as autoridades afirmam que o novo dispositivo dá a eles a habilidade de capturar todo o petróleo liberado em questão de dias.

Os moradores do Golfo têm visto o equivalente a 35.00 a 60.000 barris de petróleo ser liberados no mar desde que uma explosão destruiu a plataforma da BP, em frente à costa da Louisiana, em abril.

Estima-se que desde então, de dois a quatro milhões de barris de petróleo tenham sido liberados no mar desde que a Deepwater Horizon afundou, em 22 de abril, dois dias depois de uma explosão que matou 11 trabalhadores.

Bolas de alcatrão e manchas de petróleo têm aparecido nos cinco estados do Golfo, do Texas à Flórida, prejudicando a pesca e comprometendo o turismo, dois setores chave para a economia local.

A tragédia no Golfo já custou à BP 3,5 bilhões de dólares e as indenizações podem superar em 10 vezes este valor.

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