BP faz acordo de US$ 7,8 bilhões por vazamento no Golfo do México

Explosão em abril de 2010 foi a pior catástrofe ecológica da história dos EUA. Caso deve ir a julgamento mesmo com acordos

AFP |

A petroleira britânica BP informou no último sábado ter chegado a um acordo de US$ 7,8 bilhões (R$ 13,5 bilhões) para pagar a pescadores e outros atores privados afetados pelo gigantesco vazamento de petróleo de 2010 no Golfo do México, às vésperas do início de um julgamento nos Estados Unidos.

Leia também : Vazamento de petróleo da BP gera ameaça de longo prazo

O acordo não diz respeito aos milhões de dólares em multas e processos por parte do governo americano e dos governos locais afetados pela tragédia ecológica. No entanto, este convênio entre as partes supõe um avanço numa complicada batalha legal.

"O acordo proposto não inclui os processos contra a BP realizadas pelo departamento de Justiça nem outras agências federais (incluídos na Lei de Águas Limpas e Danos a Recursos Naturais sob a lei da Poluição Petroleira), nem pelos governos locais e estatais", afirmou a BP em um comunicado.

Este acordo de última hora faz com que o esperado julgamento seja atrasado novamente após um adiamento de uma semana ordenado no domingo para dar espaço às negociações.

O juiz Carl Barbier emitiu uma ordem na sexta-feira para levantar o caso de forma indefinida, já que um acordo deste tipo provavelmente envolverá um reposicionamento das partes em conflito e "requer realizar mudanças substanciais na primeira fase do julgamento e permitir que as partes repensem suas respectivas posições", disse.

É provável que o caso vá a julgamento de qualquer forma, inclusive ainda que a BP chegue a um acordo com o governo federal.

Isto se deve porque o gigante petroleiro britânico busca que empresas terceirizadas assumam alguns dos custos do acidente, uma questão complexa do ponto de vista legal que provavelmente envolverá anos de procedimentos e múltiplas apelações.

Barbier, um especialista em Direito Marítimo que assumiu centenas de processos relacionados ao derramamento de petróleo, deixou a porta aberta em sessões-chave prévias ao julgamento à responsabilidade compartilhada.

Várias investigações governamentais já responsabilizaram as responsáveis pelas operações de perfuração da BP, Transocean e Halliburton, pela cimentação defeituosa da plataforma e por falta de sinais de advertência que pudessem impedir o desastre ambiental.

A plataforma Deepwater Horizon, que trabalhava para a BP, explodiu em abril de 2010 causando a pior catástrofe ecológica da história dos Estados Unidos.

Foram necessários 87 dias para controlar o vazamento na plataforma, que jogou cerca de 4,6 milhões de petróleo em suas águas.

Relembre na galeria os efeitos do vazamento sobre os animais do Golfo :

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