BP afirma que responsabilidade por vazamento é de várias empresas

Empresa apresentou relatório da investigação interna sobre causa do acidente que provocou o pior derramamento de petróleo dos EUA

iG São Paulo |

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Em abril, barcos de apoio tentam apagar incêndio ocorrido na plataforma Deepwater Horizon
A empresa BP divulgou na quarta-feira (8) um relatório interno em que se desvencilha de grande parte da culpa pelo acidente da plataforma petrolífera do Golfo do México em 20 de abril, acusando a empresa Transocean de ter ignorado sinais de perigo. O acidente causou o maior vazamento de petróleo na história dos Estados Unidos.

De acordo com o texto do relatório de investigação interna as decisões tomadas por "múltiplas empresas e equipes de trabalho" contribuíram para o acidente, que aconteceu em consequência de "uma complexa e inter-relacionada série de falhas mecânicas, decisões humanas, projeto de engenharia, implementação operacional e interconexão de equipes".

"É evidente que ocorreu uma série de eventos complexos, mais do que um erro ou uma única falha, conduziu a esta tragédia", acrescentou o executivo-chefe da BP, Tony Hayward, em nota. "Tiveram participação nisto várias partes, BP, Halliburton e Transocean".

A BP defendeu o projeto do poço danificado, origem do pior vazamento marítimo de petróleo da história, e disse que falhas na plataforma de perfuração operada pela Transocean fizeram com que o gás tomasse conta da plataforma e criasse condições para a explosão de 20 de abril, que matou 11 funcionários e deu origem ao vazamento.

"Por um período de 40 minutos, a tripulação da Transocean deixou de reconhecer o afluxo de hidrocarbonetos para o poço e de agir" disse a BP em nota.

A empresa britânica criticou também a forma como o poço foi cimentado, uma obra feita pela Halliburton, e repetiu críticas anteriores a uma peça-chave do equipamento operado pela Transocean.

Mas a BP admitiu que seus representantes, em conjunto com a Transocean, interpretaram incorretamente um teste de segurança que deveria ter demonstrado os riscos de uma explosão. "Para dizer de forma simples, houve um trabalho ruim de concretagem", disse Hayward, em nota.
"Pareceria improvável que o projeto do poço contribuísse para o incidente, já que a investigação descobriu que os hidrocarbonetos fluíram para a estrutura de produção através do fundo do poço."
Leia aqui a resposta da Transocean e da Halliburton ao relatório da BP.

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Simultaneamente com a divulgação da auditoria interna da BP, a empresa classificadora de crédito Fitch Ratings elevou em três graus a classificação de crédito da BP de "BBB" para "A" indicando que desde o fim da ameaça de mais vazamentos de petróleo do poço no Golfo do México melhorou a perspectiva da companhia.

"O relatório da investigação oferece uma informação importante sobre as causas deste acidente terrível", sustentou em uma declaração distribuída pela BP ao executivo principal (e renunciante), Tony Hayward

A empresa Transocean operava a plataforma Deepwater Horizon, cujo incêndio e afundamento, causaram a morte de 11 trabalhadores entre os mais de cem que estavam na estrutura quando ocorreu a explosão do poço perfurado a mais de 1,5 mil metros de profundidade no Golfo do México.

O relatório é resultado de quatro meses de investigações sobre o acidente, ocorrido em 20 de abril. O trabalho envolveu 50 pessoas de dentro e fora da BP e foi coordenado pelo diretor de segurança do grupo, Mark Bly.

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