Bolívia justifica rejeição dos acordos de Cancún

País queria metas mais ambiciosas para a redução das emissões de gases poluentes e acabou isolado durante a cúpula no México

EFE |

A Bolívia justificou nesta terça-feira (5) sua rejeição aos acordos da cúpula de Cancún, no México, afirmando que eram insuficientes, no início da primeira sessão plenária da reunião que organiza a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em Bangcoc.

Após dois dias de atividades informais, os delegados de cerca de 200 países começaram a acertar os detalhes pendentes de compromissos firmados no México , em preparação para a cúpula que ocorrerá em novembro em Durban (África do Sul).

A secretária-executiva da Convenção-Quadro, Christiana Figueres, inaugurou os debates lembrando aos presentes que "ainda há muito trabalho por fazer" se quiserem salvar o planeta.

Figueres ressaltou em seu discurso que o assunto pendente fundamental é esclarecer o que ocorrerá quando expirar o Protocolo de Kioto, no ano que vem, o único documento com metas vinculativas elaborado até o momento para frear o efeito estufa.

"É essencial que as partes encontrem um caminho para avançar neste tema. Isto é especialmente importante, dada a crescente possibilidade de que esse ano haja uma brecha" entre os países dispostos a estender o pacto e os favoráveis a traçar outro novo, avaliou a secretária-executiva.

Além desta divisão, o outro grande ponto de discórdia é a postura da Bolívia.

"Se na próxima cúpula em Durban não chegarmos a um consenso, vamos perder toda uma década porque Kioto chegará ao fim", afirmou em entrevista à Agência Efe o chefe da delegação boliviana e embaixador de seu país na ONU, Pablo Solón.

A Bolívia opina que no México houve um "grave erro" porque se aceitou uma redução da temperatura "já baixa demais" de apenas 2 graus centígrados sobre os níveis pré-industriais, um limite que na realidade causará no final do século um aumento de 4 a 5 graus sobre os mesmos dados de referência, de acordo com seus cálculos.

Caso se confirme esse cenário mais pessimista, "veremos uma situação catastrófica em nível mundial pelo desaparecimento das geleiras, aumento do nível do mar, secas, inundações, migrações e a perda da biodiversidade", afirmou o diplomata.

O ritmo em que se derretem as calotas polares preocupa cada vez mais os países próximos aos pólos como o Chile, assim como deixou claro seu representante, José Luis Balmaceda.

Bolívia e Venezuela também criticaram os países industrializados que fazem "armadilhas" quando se comprometem a reduzir seus níveis de poluição através da compra fraudulenta de créditos de redução de emissões de gases de nações em vias de desenvolvimento para contabilizá-las como próprias.

"Não vamos permitir que os países desenvolvidos continuem disfarçando a realidade, desfrutando dos créditos de carbono que compram pelo aquecimento global", destacou a chefe da delegação venezuelana e porta-voz na reunião de Bangcoc da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), Claudia Salerno.

Fora da sede das Nações Unidas na capital tailandesa, algumas ONGs protestaram contra o "pouco interesse" que o Ocidente dá ao aquecimento global.

"Partimos desses acordos e demos um passo adiante. Não podemos começar a dar passos para trás a esta altura do campeonato", afirmou a diretora de mudança climática da WWF no México, Vanessa Pérez-Ciera.

A especialista afirmou que agora é o momento de trabalhar para definir um pacto mundial para responder aos efeitos deste fenômeno, e acrescentou que não podem "começar a ter discussões que foram feitas neste fórum há quatro ou cinco anos".

Pérez-Ciera insistiu que não se pode esquecer o outro eixo importante para o qual foi dado sinal verde em Cancún: estabelecer como e quem financiará os US$ 100 bilhões que serão distribuídos às nações pobres para ajudá-las a lutar contra o aquecimento global sem prejudicar seu desenvolvimento econômico.

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