Bjorn Lomborg, ¿o ambientalista cético¿, muda de ideia

Após negar a importância do aquecimento global, estatístico dinamarquês propõe a criação de um fundo mundial para seu combate

iG São Paulo |

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Bjorn Lomborg: dinamarquês muda de ideia sobre o valor do combate às mudanças climáticas
O auto-intitulado ambientalista cético, Bjorn Lomborg, que já falou que a luta contra as mudanças climáticas deveria ser uma questão pouco prioritária para os governos, agora defende lança um novo livro e defende que o assunto deve ser tratado como uma prioridade.

Em seu novo livro, que será publicado no mês que vem, o professor adjunto da Copenhagen Business School pede a criação de um fundo mundial de 100 bilhões de dólares anuais para pesquisas de soluções climáticas, dizendo que isso significaria o fim do aquecimento global até o fim deste século.

Lomborg ficou conhecido por minimizar o problema do aquecimento global, afirmando que o problema não era tão grave assim que justificasse o gasto de bilhões de dólares em seu combate, e sim aplicar este dinheiro em políticas de desenvolvimento e combate a doenças como AIDS e malária.

A mudança de idéia aconteceu em 2008, quando o Centro de Consenso de Copenhagen (grupo ao qual Lomborg é afiliado) começou a colocar o combate ao aquecimento global como prioridade entre os problemas da humanidade em cujo combate se vale a pena investir. Neste ano, a instituição colocou as mudanças climáticas entre uma das prioridades, com novas tecnologias como foco central dos investimentos.

Como gastar o dinheiro
No novo livro, intitulado Smart Solutions to Climate Change , Lomborg propõe a criação de uma taxa global de carbono para levantar cerca de 250 bilhões de dólares por ano. O dinheiro será destinado para combater o aumento da temperatura e do nível do mar. Este montante seria dividido em quatro frentes: pesquisas para energia limpa (US$100 bi), soluções de baixo custo em geo-engenharia (US$1 bi) e adaptações aos efeitos climáticos (US$ 50 bi), o restante deveria ser destinado para desenvolvimento de programas para tratamento da água potável e áreas de saúde em países pobres.

Em reportagem do Guardian , Mike Childs da ONG Amigos da Terra disse que Lomborg reconheceu a necessidade de gastos públicos em matéria de alterações climáticas provocadas pelo homem. “Ele está certo que o vento, ondas e solar são as indústrias de energia no futuro e precisam de muito mais apoio dos governos. Um imposto sobre o carbono é, sem dúvida, parte da solução, mas a regulação e dos gastos públicos também têm o seu lugar", disse.

O Greenpeace também se manifestou congratulando a mudança de posicionamento de Lomborg, mas dizendo que ela ocorreu com duas décadas de atraso.

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