Bispo brasileiro recebe 'Nobel Alternativo' por defesa de índios

Kräutler se destacou pela defesa dos direitos indígenas do Xingu. Bispo também foi opositor ferrenho a construção de Belo Monte

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Erwin Kräutler vai dividir com outros 3 premiados o valor de R$ 460 mil
A fundação Right Livelihood Award homenageou hoje (30) com o chamado 'Prêmio Nobel Alternativo' 2010 os esforços do bispo brasileiro Erwin Kräutler em prol das tribos indígenas e da preservação da Amazônia.

Kräutler recebeu em Estocolmo o prêmio por "uma vida de trabalho pelos direitos ambientais e humanos dos povos indígenas" e seus "esforços por salvar a Amazônia da destruição". Brasileiro de origem austríaca, Kräutler, de 71 anos, se destacou pela defesa dos direitos indígenas na região paraense do Xingu, de cuja diocese é bispo desde 1980. Seu trabalho possibilitou a inclusão dos direitos indígenas na Constituição brasileira de 1988, uma linha que seguiu promovendo no Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Com o Cimi, Kräutler impulsionou projetos de construção de casas, escolas e centros para crianças, mães e mulheres gestantes. Também foi ferrenho opositor da construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, em razão dos irreparáveis danos ambientais que causaria na região, enfrentando assim o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O júri do Nobel Alternativo reconheceu também os esforços do nigeriano Nnimo Bassey em defesa do meio ambiente, contra as petrolíferas de seu país. Bassey, de 52 anos, é homenageado por "revelar os horrores ambientais e humanos da produção de petróleo e por seu trabalho inspirador para fortalecer o movimento ecologista na Nigéria e de forma global", segundo a decisão do júri.

Seu trabalho na ONG Amigos da Terra o transformaram em um dos principais ativistas em prol do meio ambiente e dos direitos humanos frente às corporações multinacionais. Cofundador em 1993 da Ação para os Direitos Ambientais (ERA, na sigla em inglês), o braço nigeriano da Amigos da Terra , Bassey ascendeu em 2008 à Presidência desta última.

O petróleo e os enormes danos ambientais causados às comunidades nigerianas e de outros países da região foram a principal preocupação de seu ativismo e do ERA, que impulsionou processos e reivindicações contra as grandes petrolíferas.

Outro vencedor do prêmio foi o nepalês Shrikrishna Upadhyay e sua organização Sappros, fundada por ele em 1991, por combater a pobreza. Upadhyay e sua ONG demonstraram "o poder da mobilização comunitária para assinalar as múltiplas causas da pobreza, inclusive sob a ameaça da violência política e a instabilidade", tal como indicou a organização. Graças ao ativismo de ambos, mais de 1 milhão de pessoas na zona rural do Nepal melhoraram suas condições de vida por meio de instrumentos como microcréditos e abastecimento de água potável a baixo custo.

O Nobel Alternativo premiou ainda a organização israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI, na sigla em inglês), reconhecendo "seu espírito indomável trabalhando pelo direito à saúde do povo de Israel e da Palestina".

Fundada em 1988, após o início da Primeira Intifada palestina, pelo médico Ruchama Marton e um grupo de médicos israelenses e palestinos, a PHRI se destacou por sua atividade humanitária nos territórios ocupados, com atendimento móvel de saúde e tratamento em clínicas e hospitais. Os quatro agraciados pelo Nobel Alternativo dividirão 200 mil euros em prêmios (US$ 272 mil).

A cerimônia de entrega das homenagens será realizada no dia 6 de dezembro no Parlamento sueco. O Right Livelihood Award (Prêmio Modo de Vida Correto) foi adotado em 1980 pelo escritor e ex-eurodeputado sueco-alemão Jakob von Uexküll. A homenagem distingue o trabalho social de pessoas e instituições e é considerada a ante-sala do Nobel da Paz. Vários ganhadores do prêmio 'alternativo' acabaram recebendo depois o outro prêmio, como a queniana Wangari Maathai, que recebeu o Right Livelihood Award em 1984 e o Nobel da Paz em 2004.

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