Avaliação de espécies de plantas ameaçadas deve ser reconsiderada

Estudo mostrou que critério usado para avaliar risco de espécies de animais não se encaixa para as plantas

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Jason Beck/ Creative Commons
A flor símbolo da África do Sul, a Protea cynaroides, é uma espécie endêmica
Pesquisadores da Imperial College London e Kew Garden afirmam que os critérios de avaliação de plantas ameaçadas de extinção devem ser reconsiderados. O estudo mostrou que um método genérico usado para determinar a extinção tanto de plantas quanto de animais pode acarretar em erros por desconsiderar o período evolutivo das espécies de plantas. Para os autores, a conservação das espécies continua sendo um grande desafio, mas o erro metodológico  dificulta o foco dos trabalhos de conservação.

Na semana passada, outro grupo de estudiosos já havia questionado os critérios para extinção de animais , também colocando em xeque os métodos utilizados.

No método usado pela lista vermelha da União Internacional da Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês) – que classifica plantas e animais que correm risco de extinção - uma espécie é considerada ameaçada se houver poucos indivíduos em uma pequena área geográfica.

“O método não considera que espécies jovens de plantas – aquela que foram formadas recentemente – tendem a ser encontradas apenas em poucas áreas e em populações pequenas. Assim, casos como estes parecem figurar em alto risco de extinção, mas as plantas podem simplesmente não ter tido tempo suficiente de expandir suas populações”, disse ao iG o biólogo Jonathan Davies, autor do estudo. Davies explica que como se trata do período da espécie na Terra, quando se fala em planta jovem, este período pode representar 200 mil anos.

O erro no critério explica o descompasso entre espécies ameaçadas da fauna e da flora. De acordo com a lista vermelha, 70% das espécies das flores são classificadas como em risco de extinção, uma porcentagem muito maior que a encontrada em vertebrados, com 22% das espécies ameaçadas.

O estudo, publicado no periódico científico Plos Biology, comparou a flora na Inglaterra e na África do Sul. De acordo com Davies, a África do Sul é “berço de diversidade”, onde muitas espécies se formam – o que pode influenciar os padrões de risco de extinção. As duas regiões representam formações muito diferentes. Uma foi formada pelo acumulo de recolonização na era pós glacial, já a região do Cabo, na África do Sul,  tem muitas espécies endêmicas e é considerada uma das regiões no planeta que concentra os mais altos níveis de biodiversidade e onde as ações de conservação são mais urgentes.

“O estudo mostrou que nesta área, o processo de extinção e especialização (processo evolutivo pelo qual passam as novas espécies) estão relacionados, sendo que as espécies mais vulneráveis parecem ser as mais novas”, disse.

Curiosamente, o estudo não encontrou ligação entre alterações como urbanização e agricultura com a extinção de espécies de plantas – frequentemente listada como causas principas. “Uma explicação pode ser a identificação equivocada de espécies em risco. No entanto, percebemos que espécies mais ameaçadas estão entrando em extinção com mais velocidade nos últimos anos”, disse.

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