Pesquisadores descobrem que muitos dos animais mortos no Golfo não mostram sinais visíveis de contaminação de petróleo

A tartaruga marinha foi colocada com a barriga para cima sobre a mesa de metal para autópsia, com um ‘X” pintado em laranja forte sobre sua carapaça indicando que o animal foi contabilizado como parte das mortes "anormais" do Golfo do México.

Sob o experiente bisturi do Dr. Brian Stacy, um patologista veterinário que estima ter dissecado quase mil tartarugas, o animal começa a revelar seus segredos: primeiro, conforme o peitoral foi levantado, uma massa de órgãos sobre uma poça de líquido vermelho e fedorento que é produzido com a decomposição.

Acompanhe a evolução da mancha de óleo no infográfico do iG

Em seguida, as reservas de gordura, indicando uma boa saúde. Então, quando Stacy abriu o esôfago, o dado mais revelador: um pedaço de camarão, a última coisa que a tartaruga comeu.

"Camarão não é consumido como parte da dieta normal" deste tipo de tartaruga, disse Stacy.

Esta tartaruga, encontrada boiando no Estreito do Mississippi no dia 18 de junho, é uma das centenas de criaturas mortas recolhidas ao longo da costa do Golfo desde que plataforma de petróleo Deepwater Horizon explodiu.

Limpas do petróleo, etiquetadas e acondicionadas em sacos plásticos selados, as carcaças - um número muito maior do que aquele normalmente encontrado nesta época do ano - estão se acumulando no freezer de caminhões estacionados ao longo da costa, esperando por cientistas como Stacy, que trabalha para a Agência Oceânica e Atmosférica Nacional, para iniciar o processo de determinar o motivo de sua morte.

Apesar de um suspeito óbvio, o petróleo, a resposta está longe de ser clara.

A grande maioria dos animais encontrados mortos - 1.387 aves, 444 tartarugas, 59 golfinhos e uma baleia cachalote - não apresentam sinais visíveis de contaminação do petróleo.

Grande parte da evidência no caso da tartaruga aponta, de fato, para a pesca comercial do camarão ou outros frutos do mar, mas outros suspeitos incluem a fumaça do petróleo, alimentos cobertos com petróleo, os dispersantes utilizados para limpar o mar ou mesmo doenças.

A busca por pistas e provas leva diversas patrulhas navais ao estreito do Mississippi, onde mais da metade das tartarugas foram encontradas mortas, a um laboratório de toxicologia em Lubbock, Texas, e a essa sala de autópsia animal na Universidade da Flórida, em Gainesville.

O resultado irá ajudar a determinar quantos milhões a BP vai ter que pagar em penalidades civis e criminais - que são muito maiores para os animais em extinção, como as tartarugas marinhas - e oferecer uma riqueza de informações sobre os efeitos pouco conhecidos do petróleo sobre as espécies protegidas do Golfo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.