Autópsia de animais do Golfo trazem mais perguntas que respostas

Pesquisadores descobrem que muitos dos animais mortos no Golfo não mostram sinais visíveis de contaminação de petróleo

The New York Times |

A tartaruga marinha foi colocada com a barriga para cima sobre a mesa de metal para autópsia, com um ‘X” pintado em laranja forte sobre sua carapaça indicando que o animal foi contabilizado como parte das mortes "anormais" do Golfo do México.

Sob o experiente bisturi do Dr. Brian Stacy, um patologista veterinário que estima ter dissecado quase mil tartarugas, o animal começa a revelar seus segredos: primeiro, conforme o peitoral foi levantado, uma massa de órgãos sobre uma poça de líquido vermelho e fedorento que é produzido com a decomposição.

Acompanhe a evolução da mancha de óleo no infográfico do iG

Em seguida, as reservas de gordura, indicando uma boa saúde. Então, quando Stacy abriu o esôfago, o dado mais revelador: um pedaço de camarão, a última coisa que a tartaruga comeu.

"Camarão não é consumido como parte da dieta normal" deste tipo de tartaruga, disse Stacy.

Esta tartaruga, encontrada boiando no Estreito do Mississippi no dia 18 de junho, é uma das centenas de criaturas mortas recolhidas ao longo da costa do Golfo desde que plataforma de petróleo Deepwater Horizon explodiu.

Limpas do petróleo, etiquetadas e acondicionadas em sacos plásticos selados, as carcaças - um número muito maior do que aquele normalmente encontrado nesta época do ano - estão se acumulando no freezer de caminhões estacionados ao longo da costa, esperando por cientistas como Stacy, que trabalha para a Agência Oceânica e Atmosférica Nacional, para iniciar o processo de determinar o motivo de sua morte.

Apesar de um suspeito óbvio, o petróleo, a resposta está longe de ser clara.

A grande maioria dos animais encontrados mortos - 1.387 aves, 444 tartarugas, 59 golfinhos e uma baleia cachalote - não apresentam sinais visíveis de contaminação do petróleo.

Grande parte da evidência no caso da tartaruga aponta, de fato, para a pesca comercial do camarão ou outros frutos do mar, mas outros suspeitos incluem a fumaça do petróleo, alimentos cobertos com petróleo, os dispersantes utilizados para limpar o mar ou mesmo doenças.

A busca por pistas e provas leva diversas patrulhas navais ao estreito do Mississippi, onde mais da metade das tartarugas foram encontradas mortas, a um laboratório de toxicologia em Lubbock, Texas, e a essa sala de autópsia animal na Universidade da Flórida, em Gainesville.

O resultado irá ajudar a determinar quantos milhões a BP vai ter que pagar em penalidades civis e criminais - que são muito maiores para os animais em extinção, como as tartarugas marinhas - e oferecer uma riqueza de informações sobre os efeitos pouco conhecidos do petróleo sobre as espécies protegidas do Golfo.

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