Aumento da temperatura mundial em 10 anos ameaçará agricultura

De acordo com relatório, a previsão é de queda de 2,5% a 5% da produção agrícola na América Latina

AFP |

A temperatura do planeta pode aumentar 2,4 graus centígrados até 2020 e isto poderia produzir uma queda de 2,5% a 5% da produção agrícola na América Latina, segundo um estudo publicado esta terça-feira (18).

Especialistas acusam erros em estudo sobre efeitos do clima

As consequências de um planeta mais quente sobre a produção alimentar mundial poderiam ser "enormes", destacam os autores deste informe intitulado "Déficit alimentar: os impactos das mudanças climáticas na produção agrícola até 2020".

As regiões tropicais, onde vivem cerca de 60% da população mundial serão as mais afetadas pelo fenômeno.

A combinação do impacto das mudanças climáticas na produção agrícola e do crescimento da população mundial, que chegará a 7,8 bilhões de indivíduos até 2020, resultará em colheitas insuficientes.

A produção mundial de trigo sofreria um déficit de 14% com relação à demanda dentro de 10 anos, segundo o estudo. Esta cifra é de 11% no caso do arroz e de 9% no caso do milho.

A soja seria o único grão que sofrerá um aumento em sua produção durante o mesmo período, o que permitirá um excedente de 5% com relação à demanda, segundo este estudo publicado pelo Fundo Ecológico Universal, uma organização não governamental com sede na Argentina e representações nos Estados Unidos.

"A produção global de trigo, arroz, milho e soja cairá entre 2,5% e 5%" na América Latina, destaca o estudo.

Se a temperatura do mundo aumentar em média 2%, o estudo chega a calcular que o PIB da região cairia 1,3%.

A produção de milho diminuiria cerca de 15% no Brasil e 5% na Argentina. Os países são atualmente o terceiro e o quinto produtores mundiais do cereal.

Apenas a produção de soja seria beneficiada pelo fenômeno do aquecimento global.

Brasil e Argentina veriam aumentada sua produção em 21% e 42% respectivamente.

Em torno de 50% da soja produzida no mundo é produzida em cinco países da América Latina: Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai.

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