Atual fenômeno "La Niña" é um dos mais fortes em cem anos

Segundo Organização Meteorológica Mundial, é provável que características do fenômeno continuem pelo primeiro trimestre deste ano

iG São Paulo |

O atual fenômeno "La Niña", apontado por alguns especialistas como responsável pelas grandes enchentes na Austrália e as intensas chuvas que provocaram deslizamentos de terra no Brasil, é um dos mais fortes dos últimos cem anos, informou nesta terça-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A entidade antecipou que "é provável que as condições características do "La Niña" continuem durante o primeiro trimestre de 2011", e recomendou que, para enfrentar melhor os riscos associados a esta situação, os serviços meteorológicos sejam consultados com mais frequência.

"Quase todos os modelos de meteorologia predizem uma continuidade do La Niña atual por pelo menos nos próximos dois a quatro meses, ao longo do primeiro trimestre de 2011 e possivelmente até o segundo trimestre (abril ou início de maio)," disse a OMM.

"A força do evento provavelmente diminuirá durante os próximos quatro meses," acrescentou.

O La Niña começou em junho passado depois de um El Niño forte no Oceano Pacífico --o fenômeno climático natural oposto, associado a águas mais quentes que o normal.

Em termos de efeitos na atmosfera --pressão no nível do mar, ventos mais fortes e menos nuvens--, o La Niña atual é "um dos mais fortes do século," de acordo com a OMM.

No entanto, em termos dos efeitos sobre os oceanos, o fenômeno é classificado como entre moderado e forte. Ele provoca temperaturas na superfície do mar em média por volta de 1,5 grau Celsius menor do que o normal no Pacífico tropical central e oriental.

"Sabemos que, mesmo que se o La Niña enfraquecer nos próximos meses, os impactos provavelmente continuarão em regiões normalmente influenciadas por esse fenômeno," disse o especialista da OMM Rupa Kumar Kolli num comunicado à imprensa.

"O maior impacto que testemunhamos nas últimas semanas foi o das enchentes devastadoras na Austrália."

"O La Niña não é associado apenas a enchentes; é também associado a secas em algumas regiões do mundo, em especial na América do Sul, nas regiões costeiras, particularmente na costa oeste do Peru e do Equador e nas áreas próximas," disse Kolli.

Alguns impactos, entretanto, foram incomuns, como as enchentes no Sri Lanka e no Brasil, onde as condições dos Oceanos Atlântico e Índico podem ter exercido influência, afirmou ele.

(Com informações da EFE e da Reuters)

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