Associação de apicultura francesa lança campanha para salvar abelhas

Há três anos chegou ao porto de Bordeaux uma predadora de abelhas, a vespa asiática, capaz de destruir uma colônia em uma semana

EFE |

A associação de apicultores AsApiStra, em Estrasburgo (França), lançou uma campanha para salvar a espécie: patrocínio de uma colmeia de abelhas por 100 euros durante três anos, em troca de mel, visitas guiadas e material gráfico.

Segundo o presidente da AsApiStra, Jean-Claude Moes, criar uma nova colmeia - com cerca de 20 mil abelhas no inverno e 80 mil no verão - tem um custo total de 300 euros.

Moes destaca que os patrocinadores se tornam "atores militantes da biodiversidade" ao proteger uma colônia de abelhas.

Ele acrescenta que essa ação permite aumentar o número de colônias de abelhas e, ao mesmo tempo, "frear a ameaça de desaparecimento da espécie". Além disso, favorece a polinização e limita o desaparecimento de espécies vegetais.

"As abelhas têm problemas de saúde causados por alguns parasitas", lamentou Moes em entrevista coletiva, rodeado de frascos de mel, balas e doces preparados com o produto.

A maior ameaça está em processo: há três anos chegou ao porto de Bordeaux uma predadora de abelhas, a vespa asiática, capaz de destruir uma colônia em uma semana.

"A vespa asiática já está em Paris e está a ponto de chegar aos Pirineus", destacou Moes.

Se a isso forem somados os problemas como a agricultura intensiva, a utilização de inseticidas, a poluição eletromagnética e a urbanização, é possível ver que a uma espécie está "em perigo de extinção".

Moes afirmou que "se as abelhas desaparecessem, só restariam quatro anos de vida à humanidade", pois "80% das plantas dependem da polinização e 40% de nossa alimentação depende diretamente das abelhas".

O vice-presidente da AsApiStra, Julien Conrath, representa o cidadão que se mobiliza pelas abelhas: há quatro anos fez um curso de apicultura e hoje cuida de cinco colmeias.

Conrath afirma que a abelha se desenvolve melhor no meio urbano que no rural. "Elas são capazes de se afastar dois ou três quilômetros da colmeia e encontram plantas para polinizar em parques e jardins".

Um exemplo de sua afirmação está em três colmeias localizadas na localidade de Schiltigheim, cidade vizinha de Estrasburgo. A última coleta foi de 40 quilos de mel em cada uma, o que Conrath considera "uma quantidade excepcional".

Essas colmeias são fruto de uma operação que multiplicou as colônias de abelhas nos jardins privados e em terrenos cedidos pela Prefeitura.

Moes destaca que já teve que trocar uma colmeia de lugar, pois ficava próxima a um colégio e se tornou motivo de preocupação para professores e pais de alunos.

No entanto, ele garante que a abelha "não é perigosa, e só pica quando se sente ameaçada".

Por outro lado, afirma que "as vespas são mais agressivas, pois são carnívoras" e que, por isso, são atraídas pelo cheiro da carne, enquanto as abelhas não.

Embora grande parte da população não saiba, existem colmeias em pleno centro de cidades como Paris e Tóquio.

Apadrinhar as abelhas é fundamental, pois elas "são sinônimo de vida", conclui Moes

    Leia tudo sobre: concervaçãoabelhasfrança

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG