Aquecimento global afeta mais os animais dos trópicos

Mesmo que o aumento da temperatura não seja tão grande quanto nas regiões mais ao norte, o impacto é maior, afirma pesquisa

Alessandro Greco, especial para o iG | 06/10/2010 15:11

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Foto: Tim Vickers/Wikimedia Commons

O lagarto Dracaena guianensis é um dos afetados pelo aumento de temperatura nos trópicos

Os organismos que vivem nos trópicos estão sendo tão ou mais afetados pelo aquecimento global do que aqueles que vivem mais ao norte do planeta. E isto acontece mesmo que o aumento de temperatura nesta última década tenha sido maior em regiões polares do que em tropicais. É o que conclui artigo publicado nesta quarta-feira (6) na revista científica Nature.

Os pesquisadores analisaram quais seriam as mudanças no corpo dos animais que regulam sua temperatura pelo ambiente - os chamados organismos pecilotérmicos - como anfíbios e répteis. “Nosso trabalho sugere que os animais nos trópicos passaram por mudanças iguais, senão maiores, no metabolismo dos que os do Ártico e da America do Norte. Foi uma descoberta surpreendente, principalmente pelo tamanho da alteração na taxa de metabolismo dos animais dos trópicos.”, explicou ao iG Michael Dillon, principal autor do estudo, da Universidade do Wyoming, nos Estados Unidos.

As consequências devem ser sérias. Répteis e anfíbios, por exemplo, irão precisar de mais comida para sobreviver e devem também perder mais água por evaporação. “Um lagarto, que não anda muito rápido, irá precisar de mais tempo para digerir sua comida e mais tempo ao sol”, explica Dillon. Essa modificação de comportamento pode levar a criação de uma nova dinâmica na demanda por recursos. “Isso poderia mudar a dinâmica da teia de alimentação via uma mudança nas taxas necessárias de comida para herbívoros e predadores”, completa.

Como a maior biodiversidade do mundo está nos trópicos, os autores prevêem um grande impacto. “Nossa preocupação é que as mudanças na taxa de metabolismo nos trópicos sejam muito grandes. São necessários, no entanto, mais trabalhos para confirmar se as taxas estão mudando como previmos e também para medirmos as consequências potenciais destas mudanças”, afirma Dillon.

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