Apicultura toma conta de municípios americanos

Cidades dos EUA legalizam a prática de criar abelhas dentros dos limites municipais

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O apicultor Mike Barrett cuida de sua colméia no telhado de sua casa, em Nova York
Mike Barrett não tem quintal em sua casa geminada de dois andares em Astoria, Queens. Mas isso não o impediu de manter seu novo hobby, a apicultura – ele colocou sua colmeia no telhado.

Quando chegou a época da colheita, no outono, ele amarrou cordas em torno de cada uma das duas caixas cheias de mel da colmeia e as desceu até o chão.

Eventualmente, Barrett colocou as caixas em seu carro, tirou a roupa branca de apicultor e partiu para uma cozinha comercial no Brooklyn. Lá, junto com outros membros do Clube de Apicultura de Nova York, ele extraiu 40 quilos de mel.

Ele estava feliz com a sua colheita bem sucedida, mas também colheu algo que não esperava. "Fiquei surpreso com o quanto eu realmente me importo com as abelhas", disse Barrett, de 49 anos, administrador de sistemas da Universidade de Nova York, refletindo sobre sua primeira temporada como apicultor. "Você começa a pensar sobre maneiras de tornar a vida delas melhor".

Até a primavera passada, Barrett teria infringindo a lei e poderia receber uma multa de US$2.000 por seu novo hobby. Mas em março, Nova York legalizou a apicultura e, ao fazê-lo, entrou para uma longa lista de municípios, de Denver a Milwaukee e de Minneapolis a Salt Lake City, que também legalizaram a prática. Muitas cidades, como Hillsboro, Oregon, têm feito o mesmo e outros lugares, como Oak Park, Illinois, e Santa Monica, na Califórnia, estão reconsiderando suas proibições.

Em todo o país, colmeias estão sendo criadas em pequenos quintais e em calçadas - até mesmo a Casa Branca tem algumas. Aulas de apicultura estão sendo lotadas rapidamente e clubes de apicultura estão se formando ao mesmo tempo em que os mais antigos estão relatando um grande aumento na participação.

No clube de Barrett, por exemplo, a participação mais do que duplicou, para cerca de 900, ao longo do ano passado. Em Los Angeles, o Clube de Apicultores tem 400 membros – há dois anos eram apenas seis. E, em Denver, um clube que foi formado no ano passado já tem uma lista de 200 membros.

"De repente, todo curso de apicultura está se tornando popular", disse James Fischer, 53, professor de apicultura na cidade de Nova York.

Uma força por trás desse aumento na apicultura é o desejo crescente por alimentos caseiros e orgânicos. Outra, mais complexa, é o desejo de conter o declínio preocupante na população de abelhas no país.

O número de abelhas vem caindo desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando os agricultores pararam a rotação de culturas com o trevo, uma boa fonte de pólen para as abelhas, e começaram a usar fertilizantes. Pesticidas e herbicidas também tornaram-se comuns. Nas cidades, as plantas nativas foram arrancados em favor daquelas mais exóticas que não são boas para as abelhas.

Então, há quatro anos, as colônias de abelhas começaram a morrer misteriosamente em todo o país. A chamada desordem de colapso de colônias apenas aumentou os problemas de saúde das abelhas, como ácaros e doenças. Cerca de 30% das colônias controladas do país morreram subitamente, e cerca de um terço das mortes está relacionada com a desordem do colapso de colônias, de acordo com o Departamento de Agricultura.

"Nós não sabemos a causa primária, mas sabemos que a combinação de má alimentação, uso de agrotóxicos pesados e doenças entre as abelhas deram início ao problema", disse Marla Spivak, professor de entomologia da Universidade de Minnesota e receptor do patrocínio “gênio” da Fundação MacArthur por seu trabalho sobre a saúde das abelhas.

Seja qual for a causa da desordem do colapso da colônia, "as pessoas querem sentir que estão fazendo algo para ajudar", disse Dave Mendes, presidente da Federação Americana de Apicultores, em Atlanta. "Ter algumas colmeias em seu quintal pode fazer você se sentir melhor".

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