Alfafa ajuda a economizar energia em plantações

Pesquisadores americanos descobriram que a rotação de culturas ajuda a diminuir o uso de combustíveis fósseis no campo

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Quanta energia é necessária para produzir um prato de comida? Provavelmente, mais do que as calorias que a refeição fornece ao corpo.

Alguns estudos dizem que são necessárias 10 calorias de energia vinda de combustíveis fósseis para produzir uma caloria alimentar, pelo menos nos Estados Unidos. Mas isso não precisa ser assim, de acrdo com um estudo publicado na segunda-feira pelo periódico Agronomy Journal.

Agricultores podem diminuir seu uso de combustíveis fósseis (e portanto contribuir para diminuir o aquecimento global) ao adotar a rotação de culturas, concluiu a equipe de pesquisadores da Iowa State University, após um estudo que durou seis anos.

Rodízio
Os testes envolveram fazer um rodízio de plantações de alfafa, aveia e outras culturas, junto as safras usuais de milho e soja. Com uma diversidade maior, as fazendas precisaram de apenas uma pequena fração de fertilizantes sintéticos e herbicidas, normalmente fabricados com gás natural. Um dos diferenciais foi o uso de alfafa, que captura nitrogênio do ar e o armazena no solo. Graças a esta fertilização natural, os campos plantados com alfafa precisaram de apenas um quarto da quantidade normal de nitrogênio de fertilizantes químicos.

O grupo liderado pelo professor de agronomia Matt Liebman descobriu que uma fazenda podia cortar seu uso de combustíveis fósseis pela metade, se adotasse um ciclo de rotação de culturas de quatro anos, adicionando um ano para um cereal, como aveia, e um ano de alfafa, um legume, à típica rotação de dois anos de milho e soja. Estas culturas produzem o mesmo valor em calorias e geraram o mesmo faturamento, nos EUA. “O interesse não foi no aumento da produção de milho, e sim na renda da fazenda,” explicou.

Este método requer planejamento, mão de obra e outro elemento: gado. Os pesquisadores alimentaram bois e vacas com milho, aveia e forragem de alfafa, e depois espalharam o esterco nos campos. Isso contribui para a economia de combustíveis fósseis por reduzir a necessidade de nutrientes como potássio e fósforo, normalmente fornecidos por fertilizantes sintéticos. “Esterco é uma ótima maneira de reciclá-los de volta à terra,” explicou o professor.

O trabalho, no entanto, foi dobrado, segundo a pesquisa. “Não estamos falando de horas intensas de trabalho manual,” diz Liebman, “É dirigir trator, cortar feno, juntá-lo e embalá-lo – isso tudo pode ser feito com máquinas”.

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Métodos convencionais de colheita de milho e soja usam muitos combustíveis fósseis. A rotação de culturas pode ajudar a economizar energia


Incentivo à mudança
A rotação de culturas tem mais benefícios do economizar em combustíveis fósseis, diz o agrônomo Bill Deen, da University de Guelph, no Canadá.A técnica também aumenta os níveis de carbon do solo e reduz a erosão;

Mas existe um problema: “Rotação de culturas mais complexas são desejáveis, mas existe pouco incentivo para usá-la”, explicou. Porque existe um mercado pequeno para produtos como alfafa. Uma solução, segundo Deen, seria cultivá-los como uma cobertura, deixando-s os na terra em vez de colhê-los. “Acho que isso faz mais sentido do que tentar introduzir culturas com pouca procura”.

O estudo conclui que a técnica pode ser uma boa alternativa de reduzir custos em momentos de alta do petróleo, o que é provável com a perspectiva de ações governamentais de combate ao aquecimento global. Se isso acontecer, e o valor das safras não acompanhar a alta, esse pode ser o incentivo para a adoção da rotação de culturas. “Com a alta do preço dos combustíveis fósseis,” Liebman conclui, “os sistemas convencionais ficarão em desvantagem”.

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