Alabama processa BP por vazamento de óleo no Golfo do México

Estado norte-americano quer garantir que vítimas recebam indenizações adequadas

Reuters |

O Alabama está processando as empresas BP, Transocean, Anadarko e Halliburton, entre outras, pelo "dano catastrófico" provocado pelo vazamento de petróleo no Golfo do México, informou nesta sexta-feira o secretário estadual de Justiça.

É o primeiro Estado norte-americano a processar a BP por danos provocados pelo pior vazamento marítimo de petróleo da história. O secretário Troy King disse que a decisão foi tomada para evitar que vítimas sejam inadequadamente indenizadas, e que a BP se esquive das suas obrigações financeiras.

"Estamos movendo a ação porque acreditamos que a BP causou um dano catastrófico ao Estado (...). Os estamos processando pela quantia que custará ao Alabama inteiro," disse King à Reuters, sem citar cifras.

O vazamento, que durou mais de três meses, foi provocado pela explosão de uma plataforma de exploração de petróleo em 20 de abril. A Transocean era dona da plataforma, alugada pela BP para explorar um poço seu, enquanto a Halliburton fez o trabalho de cimentação do poço e a Anadarko era sócia minoritária.

"Acredita-se que a explosão da (plataforma) Deepwater Horizon tenha sido relacionada ao trabalho de cimentação", diz o processo.

King disse que o governador Bob Riley era contra processar a BP, mas, de acordo com ele, a decisão deixa o Estado juridicamente mais forte.

A próxima etapa será reunir provas, disse o secretário, acrescentando que um acordo extrajudicial também é possível.

A BP não se manifestou.

A ação diz que os réus foram "negligentes" no cumprimento dos padrões, e que sua conduta "ilustra seu esquema para maximizar lucros e ignorar os riscos perigosos representados à saúde e à propriedade humanas".

A Louisiana foi o Estado mais afetado pelo vazamento, que durou até 15 de julho, mas Mississippi, Alabama e Flórida também sofreram danos ambientais e econômicos, especialmente nos setores de pesca e turismo.

A BP já depositou 20 bilhões de dólares em um fundo destinado a cobrir prejuízos.

King e outros secretários de Justiça da região desejam que os prejudicados possam se valer desse fundo sem abrir mão de processar a BP posteriormente.

A empresa britânica lançou uma campanha publicitária cujo lema é "Vamos consertar isso", e promete honrar todas as indenizações legítimas. Apesar disso, King disse que a empresa está se esquivando das suas responsabilidades.

Em julho, o governador de Mississippi, Haley Barbour, pediu ao departamento de Justiça do seu Estado que não processasse a BP, para que o processo federal de indenizações tivesse tempo para funcionar, e também para que seja completada a avaliação dos danos provocados ao meio ambiente.

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