Acidente de Chernobyl completa 25 anos

Um quarto de século depois, continuam repercussões do que é considerado o maior desastre nuclear da história

iG São Paulo |

Era o começo da manhã de um sábado quando o sistema do reator nuclear da usina de Chernobyl falhou, resultando numa explosão que destruiu seu teto. Cerca de 50 pessoas, a maioria funcionários que estiveram envolvidos com a contenção da falha, morreram nos primeiros minutos do maior acidente nuclear da história.

No dia do desastre, os funcionários que trabalhavam na sala de controle do reator 4 perceberam que havia algo errado, embora não tivessem percebido a grande explosão na sala principal, que ficava a poucos metros de distância de onde estavam. Mais tarde, investigações concluíram que decisões equivocadas, mau estado de conservação e descuido com a segurança levaram às falhas técnicas que resultaram no acidente.

A explosão de 26 de abril de 1986 espalhou uma nuvem de partículas radioativas que ultrapassou os limites da União Soviética e atingiu parte da Europa. Mais de 350 mil pessoas que viviam nas áreas contaminadas na Ucrânia, Bielo-Rússia e Rússia firam forçadas a partir em retirada de suas casas. O desastre não foi anunciado pelo governo soviético apenas 72 horas após o ocorrido. Por três dias o mundo não tomou conhecimento exato do que havia ocorrido enquanto a radiação seguia se espalhando.

A explosão liberou 440 vezes mais radiação que a bomba atômica lançada na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945. Milhares de pessoas ficaram doentes. A floresta virgem e as fazendas da região ficaram seriamente contaminadas. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 600 mil pessoas foram gravemente expostas à radiação e que houve mais de seis mil casos de câncer de tiróide em pessoas que na época da explosão eram ainda crianças. Acredita-se que mais de 4 mil pessoas morram prematuramente em virtude da explosão.

A vila de Chernobyl fica a cerca de 15 quilômetros da usina nuclear que carrega o mesmo nome – consideravelmente mais longe que a cidade fantasma de Pripyat a apenas 3 quilômetros do acidente. Moradores das duas cidades tiveram que abandonar suas casas após o acidente.

A cidade constitui uma coleção de prédios dilapidados, uma pequena loja, um caixa eletrônico e uma simples pousada para visitas oficiais. O bar foi fechado e um monumento da era soviética na praça principal permanece intacto como uma relíquia do passado.

Ela é moradia de uma equipe de 3.800 pessoas, entre engenheiros, cientistas, bombeiros e administradores, que trabalham na usina e nos arredores da Zona de Exclusão. Para limitar a exposição à radiação, os funcionários trabalham em sistema de rodízio, trabalhando quatro dias e descansando três, ou durante 15 dias, com 15 dias de folga.

Embora a usina ainda não produza eletricidade, mais de 3 mil pessoas trabalham lá. Os trabalhadores estão envolvidos com uma série de tarefas, incluindo a desativação das unidades 1, 2 e 3, administração do material nuclear e radioativo que ainda persiste no local, monitoramento do meio ambiente no arredor da usina e construir um novo abrigo sobre o reator 4.

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