A luta contra a sacolinha

Incentivadas pelo governo, redes de supermercado brasileiras encorajam a substituição das sacolas de plástico

Isis Nóbile Diniz, especial para o iG |

Os supermercados brasileiros estão em guerra contra as sacolinhas. As três redes líderes em faturamento distribuíram 372,9 milhões de sacos plásticos a menos no ano passado. Uma delas quer eliminar para sempre o uso das sacolinhas até 2014. E é melhor o consumidor se acostumar: caixas de papelão e sacolas retornáveis, as chamadas ecobags, prometem ser a norma em breve.

Ao total, todos os supermercados brasileiros consomem em média 12 bilhões de sacolas plásticas tradicionais anualmente. Os Estados Unidos, em comparação, consome 10 bilhões de sacos de papel - os americanos usam o material no lugar das sacolas plásticas.

AE
Caixa de supermercado embalando produtos em sacolas plásticas: grandes redes querem reduzir seu uso
"A questão das sacolas plásticas é debatida desde 2007", explica o presidente da Abras, Sussumu Honda. "Agora, com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos pela Câmara dos Deputados, cada empresa tem se posicionado com sua estratégia para seu público", afirma. Com a nova legislação, todos os setores - produtor, comerciante, consumidor final e serviço de limpeza urbana - serão responsáveis pelos materiais. Aliás, quem contratar serviço de reciclagem terá incentivos fiscais. A lei ainda precisa da aprovação do Senado.

O uso de sacolas de plástico disparou na década de 1980, quando os grandes supermercados se popularizaram. Atualmente, a produção de plástico é 20 vezes maior do que há 50 anos, sendo que 80% do lixo plástico é composto por embalagens utilizadas uma única vez. A ONG Iniciativa Verde afirma que colocar em duas sacolas de supermercado o que poderia ser levado em três reduz em 20% sua emissão de CO2 - gás que causa o aquecimento global.

Disputa para ser mais ecoeficiente
O Grupo Pão de Açúcar - Extra, CompreBem, Sendas, ABC CompreBem e Assai - disse que reduziu em 30% (91 milhões de unidades) sua distribuição de sacolas plásticas. Ele possui um programa no qual clientes que usem sacolas retornáveis ganham vale-compras. No ano passado, os clientes da classe C, do CompreBem, foram os que mais adquiriram as sacolas retornáveis - ou "ecobags".

O Walmart Brasil anunciou que estenderá para todas as lojas um programa que devolve ao consumidor o valor de R$ 0,03 de cada sacola não utilizada. O preço é calculado no caixa por cada cinco itens adquiridos - quantidade média de produtos embalados em uma sacola, de acordo com o Instituto Akatu. Assim, em uma compra de 200 itens, o cliente receberá R$ 1,20. Segundo a empresa, o programa já tirou do meio ambiente 22,8 milhões de sacolas plásticas e concedeu R$ 686 mil. Até 2013, o Walmart espera reduzir o uso de sacolas plásticas em 50%. No ano passado, conseguiram diminuir 10% (138,9 milhões).

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O uso de sacolas retornáveis, as chamadas ecobags, vai ser mais incentivado
Por sua vez, o Carrefour afirmou que quer banir o uso de sacos plásticos em quatro anos. As lojas da rede na França, China e Polônia já não oferecem a sacola plástica tradicional. No lugar, comercializará sacolas retornáveis e biodegradáveis, produzidas a partir do milho. Em 2009, a rede conseguiu diminuir em 15% (143 milhões de unidades) a distribuição de sacolinhas comparando ao ano anterior.

"Há poucos anos, as ações de cunho socioambiental feitas por empresas eram vistas pelo consumidor com muita reserva. Em pequisas sobre o tema, os clientes diziam que as empresas queriam ganhar vantagem", conta o sócio-sênior da consultoria empresarial de varejo e de marketing GS&MD - Gouvêa de Souza, Luiz Goes. Hoje, Goes acredita que o consumidor valoriza mais essas ações desde que fique claro que não se trata de oportunismo. "Gradualmente, as empresas têm o desafio de associar a marca à preservação ambiental. Por isso elas têm investido, por exemplo, em construção de unidades que poupam mais o meio ambiente e na valorização dos funcionários", diz Goes. Além disso, ser sustentável é um investimento que barateia os custos.

As opções são escassas
As sacolas plásticas são produzidas a partir do petróleo ou do gás natural, recursos não-renováveis, e demoram cerca de 400 anos para se decompor. Como alternativa, no lugar dela poderiam ser usadas sacolas recicladas. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não permite a troca por questão de segurança à saúde. Outra opção seria sacolas de papelão. No entanto, é consumido 1,5 milhão de sacolas plásticas por hora pelos brasileiros -- nos Estados Unidos, são cortadas nada menos que 14 milhões de árvores por ano apenas para abastecer esse mercado, um número inviável para os padrões daqui. Por sua vez, o plástico oxibiodegradável, que se despedaça em partículas minúsculas e considerado uma alternativa, é tema de polêmica. Segundo pesquisadores, os pedacinhos poderiam contaminar a água e serem consumidos por animais. Além disso, ele não pode ser reciclado.

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