Após polêmica, outro zoológico dinamarquês anuncia possível execução de girafa

Por BBC Brasil | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov oferece asilo ao animal. Em Copenhague, caso parecido causou protestos

BBC

Outro zoológico dinamarquês disse que poderá sacrificar uma de suas girafas, apesar de uma onda de protestos após um caso semelhante no zoo de Copenhague.

Execução de girafa de dois anos em zoológico causa polêmica na Dinamarca

Reuters
Girafa de sete anos pode ser executada para garantir população saudável em zoos europeus






Funcionários de zoológico dinamarquês são ameaçados após execução

O zoológico Jyllands disse que, assim como o parque de Copenhague, teria que executar a girafa para obedecer regras do programa europeu de reprodução dos animais.

Coincidentemente, a girafa ameaçada tem o mesmo nome do animal de Copenhague, Marius, que foi morto no último domingo apesar de uma petição online e protestos pedindo que ele fosse poupado.

Execução de girafa em zoológico causa polêmica na Dinamarca (9/2). Foto: AP Photo/POLFOTO, Rasmus Flindt PedersenA girafa Marius foi morta com um tiro na manhã de domingo (9) apesar dos protestos na porta do zoológico. Foto: (AP Photo/POLFOTO, Rasmus Flindt PedersenFuncionários do zoológico na Dinamarca retiraram a pele da girafa, cortaram sua carne e serviram os leões . Foto: (AP Photo/POLFOTO, Rasmus Flindt PedersenPorta-voz do zoológico, Stenbaek Bro, disse que os pais deveriam decidir se as crianças poderiam assistir. Foto: (AP Photo/POLFOTO, Rasmus Flindt Pedersen

Pelo menos dois parques de vida selvagem, incluindo um na Grã-Bretanha, se ofereceram para abrigar o animal de dois anos, que era saudável. Ele foi executado com um tiro e sua carne foi distribuída como alimento aos leões, diante dos visitantes do zoológico.

O anúncio da possibilidade de sacrificar outro animal gerou mais críticas de ativistas de direitos dos animais. Também gerou uma inusitada oferta de asilo do líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov. Ele disse que o segundo Marius será bem recebido na região russa, a fim de se evitar outro "espetáculo sangrento".

"Estou disposto a aceitar Marius por preocupações humanitárias", afirmou em seu perfil do Instagram.

Kadyrov é dono de um zoológico particular e já provocou protestos de ativistas ao criar um tigre como animal de estimação.

'Um dia muito ruim'

O zoo parque Jyllands, no oeste da Dinamarca, disse que o seu Marius tem sete anos e é um híbrido - uma mistura de subespécies diferentes. Atualmente, Marius divide o espaço com uma girafa mais jovem e de raça pura chamada Elmer - que é meio-irmão do Marius de Copenhague.

O zoológico começou a fazer parte do programa de reprodução da Associação Europeia de Zoológicos e Aquários (EAZA, na sigla em inglês) e espera receber uma girafa fêmea para acasalar com Elmer.

O programa internacional de reprodução tem o objetivo de preservar uma população saudável de girafas nos zoológicos europeus, garantindo que apenas girafas sem vínculo sanguíneo se reproduzam.

"No momento, não há problema. Marius é uma boa companhia para Elmer e eles são uma atração maravilhosa para os nossos visitantes", diz o zoólogo Jasper Moehring, do Danish Jyllands Park, à BBC. "Mas o problema será quando tivermos uma fêmea. Os dois machos irão brigar, o que pode resultar na morte de um deles."

Questão genética

Moehring disse que o zoológico teria um aviso seis meses antes da chegada da fêmea e que sua prioridade seria encontrar uma nova casa para Marius. Mas ele enfatizou que o procedimento não deve prejudicar o equilíbrio genético cuidadosamente regulado da população de girafas. Se isso acontecer, Marius terá de ser sacrificado. Ele também defendeu a decisão do zoo de Copenhague de executar sua girafa no domingo passado.

"Tenho certeza que os funcionários do zoológico de Copenhague tiveram um dia muito ruim no domingo porque eles amam aqueles animais, mas eles sabiam que aquela solução era a melhor para as girafas dali", disse.

O diretor científico do zoo da capital, Bengt Holst, disse que os genes de Marius eram muito semelhantes aos genes de outros animais do programa europeu de criação, e que seria um risco introduzir genes raros e prejudiciais na população de girafas, se fosse permitido que Marius vivesse e se reproduzisse.

Holst também defende sua decisão de permitir que visitantes - incluindo crianças - vissem a pele do animal ser retirada e sua carcaça ser cortada e entregue aos leões. Para ele, essa foi uma ação educativa. A decisão causou indignação entre ativistas de direitos animais e gerou até ameaças de morte a Holst e sua equipe.

Leia tudo sobre: zoologicozoodinamarcaexecucaosacrificiomariusgirafaprotestosasilo

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas