Onça-pintada corre risco de ser extinta da Mata Atlântica nos próximos cem anos

Por Clarice Sá - iG São Paulo |

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Em carta publicada pela Science, cientistas alertam para desaparecimento da espécie neste bioma, que conta com 250 exemplares, sendo 50 com capacidade reprodutiva

A onça-pintada corre risco de ser extinta da Mata Atlântica, segundo alerta de treze cientistas atuantes no Brasil e na Argentina e publicada na revista Science. O texto afirma que este pode ser o primeiro bioma tropical do planeta a perder seu maior predador, baseado em conclusões de especialistas que se reuniram em setembro de 2013 para elaborar um plano de ação para a conservação da espécie.

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Onça pintada

A estimativa é que menos de 250 exemplares de onça-pintada habitem a Mata Atlântica, distribuídos em oito populações isoladas. O número de animais que se reproduzem e podem deixar descendentes é ainda mais alarmante. Não passam de 50. O número resulta de redução de 80% na população nos últimos 15 anos, de acordo com estudo do Instituto Chico Mendes.

Há regiões em que a espécie pode desaparecer antes da chegada do próximo século, diz o analista ambiental Ronaldo Morato, do Instituto Chico Mendes (ICM-Bio), um dos autores da carta. O tempo previsto para a completa extinção varia de acordo com a região. No Espírito Santo, por exemplo, a estimativa é de 40 anos. No Alto Paraná, na região do Morro do Diabo, a perspectiva é que só sobrevivam por mais 80 anos. As demais regiões ainda estão em estudo. “Se as coisas caminharem no ritmo atual, até podemos dizer cem anos (em toda a Mata Atlântica)”, afirma Morato.

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A Mata Atlântica, que se prolongava pela costa brasileira e áreas da Argentina e Paraguai, tem hoje menos de 12% de sua área original preservada. Apesar de a onça-pintada ter condições de habitar 24% deste espaço, é encontrada em apenas 7%, informa a carta.

A espécie é perseguida por causar impacto na pecuária e sofre também com a caça predatória de suas presas em áreas de proteção ambiental. Sua presença ajuda a controlar a população de herbívoros, como capivaras e veados, e de pequenos predadores, como raposas, jaguatiricas e outros carnívoros.

O aumento da fiscalização sobre a caça e o desmatamento e o investimento em educação ambiental são medidas que podem trazer resultados de curto prazo para recuperar a população, afirma Morato. No longo prazo, pode-se transportar indivíduos entre regiões, com fins reprodutivos, o que é considerado um processo muito complicado. Outra opção seria fazer o deslocamento de gametas e embriões para reprodução assistida. Na ausência de proteção efetiva e administração, a carta atesta, o destino do maior predador da Mata Atlântica é o desaparecimento.

Outros biomas

Cientificamente chamada de Panthera onca, a onça-pintada é o maior felino das Américas e habita quase todos os biomas brasileiros - com exceção da área dos Pampas, onde já é considerada extinta. A espécie é ameaçada pela perda e fragmentação de habitat provocadas por expansão agrícola, mineração, implantação de hidrelétricas, ampliação da malha viária, caça e pela retaliação após ataque a animais domésticos. Nos últimos 27 anos, a população total sofreu queda de 30%. O índice deve ser o mesmo para os próximos 27 anos. Na Amazônia, há cerca de 10 mil indivíduos, no Pantanal são mil. No Cerrado e na Caatinga, 250.

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