Peixes criados em cativeiro despoluem igarapés amazônico

Por Maria Fernanda Ziegler - enviada a Manaus* |

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Técnica permite engorda confinada de peixes típicos da bacia do Amazonas

Maria Fernanda Ziegler
Antes extremamente poluído, com plásticos e a água pobre em oxigênio, igarapé se reestabeleceu e serve de criatório de matrinxãs

Os igarapés de Manaus estão se tornando uma espécie de pesque-pague. Uma técnica de produção de cativeiro de peixes como o matrinxã (Brycon amazonicus) tem se mostrado muito eficientes. É possível criar de 10 a 20 de matrinxã por metro cúbico de água, diferente dos números de criação de peixes em cativeiro pela técnica de tanque escavado, onde se cria de uma a três peixes no mesmo volume de água. Os peixes criados no igarapé atingem até 1,2 quilos.

Redes são colocadas nos canais de igarapés para que a água continue a correr, mas os peixes permaneçam no local. Naturalmente, o matrinxã se alimenta de frutas que caem na água e chega a migrar de 200 a 500 quilômetros rio adentro. Mas em cativeiro, eles permanecem nos igarapés e se alimentam de ração.

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Os números da pesca em cativeiro ainda são pequenos no Amazonas. Estima-se que sejam consumidas 180 mil toneladas, sendo que 160 mil toneladas são de pesca extrativa.

Mas o cultivo de peixes nos igarapés tem uma grande importância ao despoluir as águas. "Quase todos os igarapés de Manaus estão eutrofizados. A melhor maneira de preservar a qualidade de água é criar peixes" , disse Geraldo Bernardino, secretário de pesca do Estado do Amazonas, se referindo ao fenômeno no qual o excesso de compostos químicos nas águas fluviais aumenta a quantidade de algas, prejudicando a qualidade de água.

O secretário afirma que os já existem 200 produtores cadastrados no Estados e que é possível tirar de 4 mil a 5 mil reais por cada 100 m3 de água.

Mas o peixe de cativeiro perde no sabor, portanto, a recomendação é que dez dias antes de ser pescado, a ração seja suspensa, fazendo com que o peixe se alimente apenas de frutas que caem ocasionalmente e também do limo.

Tradicionalmente, os igarapés com suas águas geladas e correntes são vistos como balneários. "A ideia de criar peixe já é política pública e já foram criados centenas de projetos como os de Manaus no interior do estado", disse Denise Gutierrez, coordenadora de Tecnologia social Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

*A repórter viajou a convite da Fundação Banco do Brasil.

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