Tentativas de resgate de recife de corais no Caribe podem fazer a diferença

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Trabalhos de recuperação e plantação de corais nos mares da Jamaica e outras ilhas é visto com ceticismo, mas está dando resultados

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Mergulhador trabalha na recuperação de corais no mar de Punta Cana, na República Dominicana, em maio de 2012

Camadas de algas marinhas que uma vez cobriram o coral de recifes rasos na costa do norte da Jamaica desapareceram. Águas quentes do oceano desbotaram o coral, e em uma cascata de declínio ecológico, os ouriços-do-mar e peixes de recife herbívoros desapareceram e foram substituídos por caracóis e minhocas que hoje habitam os esqueletos do coral.

Agora, ao longo da costa da Jamaica, assim como em outras ilhas do Caribe, de Bonaire até St. Croix, os conservacionistas estão plantando espécies de corais de rápido crescimento para tentar reverter esta perda. A estratégia tem enfrentado descrença, mas ambientalistas disseram que o problema é tão catastrófico que ficar sem fazer nada não é uma opção. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, a cobertura de corais vivos nos recifes do Caribe diminuiu de 50% em 1970 para uma média de apenas 8%.

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Lenford Dacosta cresceu na vila de pescadores de Oracabessa Bay, no norte da Jamaica, e tem pescado em suas águas durante a maioria de seus 46 anos. Agora, ele faz parte de uma equipe que cuida de um pequeno viveiro de corais em um santuário de peixes, na esperança de revitalizar o recife que sustentou sua aldeia, cujo litoral é agora dominado por resorts chiques.

Seascape Caribe, a nova empresa que emprega Dacosta e gaba-se de ser a primeira e única empresa privada de restauração de corais, usa viveiros de baixa tecnologia composto por boias e pesos com pequenos fragmentos de coral suspensos em cordas. Os fragmentos crescem nas cordas até que os pedaços de coral comecem a demonstrar que estão prontos para serem plantados nos recifes. Outros especialistas crescem fragmentos de coral em pedestais de concreto colocados no fundo do mar.

Os defensores disseram que o trabalho de restauração de recife, focado em corais de rápido crescimento porém ameaçados da região e espécies de coral Elkhorn, pode aumentar as taxas de recuperação e melhorar as perspectivas para o coral. Eles reconheceram que os esforços nunca irão ressuscitar os recifes de 50 anos atrás, mas eles acreditam que podem ajudar a preservar parte da funcionalidade de um recife, além de sua beleza.

Ao redor do mundo, os recifes que se mostraram resistentes por milhares de anos estão em sério declínio, degradados pela pesca excessiva, a poluição e o aquecimento das águas costeiras e oceânicas. E as ameaças ao coral só devem se intensificar como resultado das mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos devido aos gases de efeito estufa.

Os riscos não poderiam ser maiores ao longo do Mar do Caribe, que tem cerca de 20.720 quilômetros quadrados de recifes de coral.

O coral do Caribe se deteriorou tanto nas últimas décadas que um novo relatório de uma equipe internacional de cientistas disse que as estruturas rochosas dos recifes estão no limiar de uma erosão gradual.

Diante desse declínio, alguns especialistas de coral e conservacionistas disseram que a falta de ação seria um grave erro. Eles argumentaram que os resultados do trabalho da restauração de corais será essencial nos próximos anos.

Alguns especialistas disseram que o intensivo trabalho dos projetos de restauração de recifes de corais pode se tornar cada vez mais popular, mas que ainda precisam testemunhar sucessos significativos resultantes deles. Esses críticos acreditam que o problema é simplesmente grande demais para os esforços e que a restauração não aborda as forças subjacentes que vêm acelerando o colapso dos recifes.

"Ele está mais ligado à necessidade humana de 'fazer algo' diante de uma calamidade, mesmo se o que você esteja fazendo seja uma perda de tempo. Não há muito que se possa fazer”, disse Roger Bradbury, um ecologista e professor adjunto de gestão de recursos da Universidade Nacional Australiana, em Canberra.

Bradbury argumentou que a restauração de corais na verdade desvia recursos escassos que deveriam ser concentrados no que fazer com as regiões de recifes depois que eles morrerem. "Os recifes só não vai estar lá, mas alguma coisa vai - um novo tipo de ecossistema", disse.

Phil Kramer, um geólogo marinho que é diretor do programa The Nature Conservancy do Caribe, reconhece que as perspectivas de longo prazo para os recifes de coral é fraca diante das ameaças atuais e aumentos de temperatura e acidificação dos oceanos. Mas ele disse que não justificaria o "abandono" dos recifes.

O aumento nas temperaturas da superfície do mar levaram a um aumento dramático nos incidentes de branqueamento dos corais em que os organismos estressados expulsam as algas vivas coloridas em seus tecidos, deixando uma cor esbranquiçada. Até 90% dos corais em algumas partes do leste do Caribe sofreram branqueamento em 2005, e mais da metade morreram.

Mas no norte da costa da Jamaica, Dacosta disse que está vendo algum equilíbrio gradualmente restaurado no santuário de peixes em Oracabessa Bay, onde ele trabalha para o transplante de fragmentos de coral e recolhe os caracóis e minhocas dos recifes. Ele disse ter visto mais peixes e ouriços negros com mais freqüência na região.

"Uma coisa é certa", disse Dacosta. "Deveríamos ter começado isso há muito tempo atrás",

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