Na Tailândia, cuidar de animais exóticos apreendidos se torna um fardo

Por The New York Times |

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Aumento das apreensões e prisões por tráfico ilegal de animais traz o dilema de o que fazer com os animais salvos, muitos deles ameaçados de extinção

Sathit Pinku, diretor do centro Khao Pratubchang na Tailândia, com os filhotes de tigre resgatados: centro está sobrecarregado. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneFilhotes de tigre como estes foram resgatados desnutridos de caminhão. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneLeopardo toma sol no centro Khao Pratubchang. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneLoris no centro Khao Pratubchang: primata é típico da Índia e do Sri Lanka. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneFilhote de urso segue cuidadora do Khao Pratubchang. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneUrsos são animais bastante procurados pelos traficantes asiáticos. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneA medicina tradicional chinesa usa a bile de ursos como remédio. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneOrangotangos no centro Khao Pratubchang: esforços para diminuir má imagem da Tailândia enchem zoos e centros de resgate. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneLeopardo resgatado no Centro Khao Pratubchang na Tailândia. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneTigre do centro Khao Pratubchang. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneOrangotangos do centro  Khao Pratubchang se exibem para a câmera. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneGibões brincam em jaula no centro. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald TribuneFilhote de urso apreendido em operações policiais na Tailândia. Foto: Giulio Di Sturco/International Herald Tribune

A Tailândia quer acabar com a sua imagem como um lugar onde muitos tipos de animais selvagens - tartarugas de Madagascar, macacos sagüis da América do Sul, pássaros exóticos - são encontrados à venda, um comércio internacional impulsionado pelo mercado global de carnes exóticas e animais raros.

Durante os últimos dois anos, as autoridades locais capturaram mais de 46.000 animais de traficantes, vendedores e caçadores, mais que o dobro dos 18.000 apreendidos nos dois anos anteriores.

Mas agora o governo enfrenta o dilema de o que fazer com todas as criaturas que salvou - uma espécie de Arca de Noé de espécies ameaçadas de extinção, que provavelmente afundaria sob o peso de todos os elefantes, tigres, ursos e macacos.

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 "Quanto mais animais nós apreendemos, mais animais temos sob o nosso cuidado", explicou Theerapat Prayurasiddhi Said, vice-diretor-geral do Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas.

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Embora muitos digam que as fronteiras porosas, a corrupção e as leis lenientes continuam a ser problemas, a repressão acontece no momento em que a Tailândia se prepara para sedear um grande encontro que discutirá o principal acordo internacional sobre o tráfico de animais exóticos, a Convenção das Nações Unidas sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora.

O fardo de cuidar de animais apreendidos foi ressaltado em outubro, quando 16 filhotes desnutridos de tigres foram encontrados no caminhão de um contrabandista. Cuidadores no Centro para a Vida Selvagem de Pratubchang Khao foram sobrecarregados pelos cuidados necessários com os filhotes.

"É como ter um filho - há tantos detalhes", disse Sathit Pinkul, chefe do centro. "Você tem que estar sempre por perto quando estão com fome", disse, imitando o miado de um filhote faminto. "Nós nos tornamos seus assistentes pessoais."

O centro abriga outros 45 tigres, 10 leopardos e 13 outros pequenos felinos asiáticos.

Centros de vida selvagem em todo o país já estão operando na sua capacidade máxima. Um centro de Bangkok hospeda mais de 400 macacos. Um na província de Chonburi tem 99 ursos.

Alguns dos animais podem eventualmente voltar para a vida selvagem, incluindo espécies comuns de macacos, cobras e pangolins, pequenos tatus valorizados na China por sua carne. (Partes de muitos animais, inclusive os chifres de rinocerontes, são usados na tradicional medicina chinesa.)

Alguns animais são mais fáceis de cuidar do que outros. Cuidadores no Centro da Vida Selvagem na província de Chonburi não se preocupam em fechar a gaiola das preguiças.

Macacos são mais problemáticos e gostam de balançar violentamente as barras de suas jaulas.

"O pessoal de manutenção passa o dia arrumando barras", disse Thanapol Kongsapsirianand, um funcionário do centro.

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