Neozelandês faz campanha para erradicar gatos de seu país

Por AP | - Atualizada às

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Gareth Morgan criou site em que pede para que donos não tenham mais pets, senão população nativa de pássaros da Nova Zelândia será extinta

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Economista neozelandês considera que gatos como o da foto devem ser erradicados de seu país

Gareth Morgan tem um sonho: uma Nova Zelândia livre de gatos domésticos que ameaçam os pássaros nativos do país. Mas o economista está enfrentando uma reação violenta à sua campanha anti-felinos.

Morgan convocou seus compatriotas na terça-feira (22) ao pedir para os donos de gatos que fizesse com quem seus pets atuais fossem os últimos, para salvas as espécies de aves endêmicas da Nova Zelândia. Ele criou um site, chamada Cats to Go (em tradução livre, os Gatos Precisam Ir) com o seguinte slogan "A sua bolinha fofa de pelos é um assassino por natureza".

Ele não chega a recomendar que a eutanásia dos animais -- "não necessariamente, mas é uma opção", são as palavras usadas no site -- e sim que os donos castrem seus gatos e não os substituam quando morrerem. Morgan, um economista e administrador conhecido na Nova Zelândia, também sugere que os felinos fiquem dentro de casa e que os governos locais exijam o registro de animais de estimação.

A campanha não está caindo bem em um país que tem uma das maiores porcentagens de gatos como animais domésticos no mundo.

"Eu diria a Gareth Morgan para não se intrometer na nossa vida," disse Bob Kerridge, presidente da Sociedade Real Neozelandesa de Prevenção à Crueldade contra Animais, em um canal de TV local. "Não nos prive da bela companhia que um gato pode dar a uma pessoa ou família".

Por milhares de anos, as aves nativas da Nova Zelândia não tiveram predadores e prosperaram. Algumas espécies, como o kiwi, perderam a capacidade de voar. Mas a chegada do homem e a introdução de predadores como os gatos, cachorros e roedores acabaram com algumas espécies e estão ameaçando muitas outras.

"Imaginem uma Nova Zelândia cheia de aves, pinguins na praia, kiwis passeando por seus jardins," Morgan escreve em seu site. "Imaginem ouvir cantos de pássaros no meio das nossas cidades".

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Mas muitos neozelandeses se opõem à campanha. Mesmo no site, 70% dos votantes se recusam a se comprometer que seu gato atual será o último. Morgan não foi encontrado pela AP para comentar o resultado.

Mas a ciência por trás da proposta não está clara. Alguns cientistas dizem que os gatos podem na verdade ajudar os pássaros nativos, porque reduzem a população de roedadores que costumam se alimentar de ovos.

Em seu blog pessoal, Morgan também tem uma campanha para arrecadar um milhão de dólares neozelandeses para erradicar os ratos de uma ilha remota, onde eles são os únicos predadores.

Uma pesquisa de 2011 do Conselho de Companheiros Animais da Nova Zelândia descobriu que 48% dos lares do país têm pelo menos um gato, uma porcentagem significativamente maior que a de outros países desenvolvidos. O mesmo levantamento colocou a população total de gatos em 1,4 milhão de felinos.

Nos Estados Unidos, para comparação, 33% dos lares têm pelo menos um gato, em um total de 86 milhões de felinos domésticos, segundo um levantamento da Associação Americana de Produtos para Pets.

Já o cientista David Winter disse que os gatos são realmente um problema, tendo contribuído para a extinção de pelo menos meia dúzia de espécies nativas de aves. Em seu blog, Winter escreveu que a campanha de Morgan parecia mais concebida para incitar o debate. Ainda assim, ele acrescentou: "Que esperança há para ambientalistas em um debate no qual nosso lado quer tirar os gatinhos das pessoas?"

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