Retrospectiva 2012: Com a Rio+20 voltamos a falar de meio ambiente

A aguardada cúpula ambiental aconteceu em junho e, apesar de seu resultado decepcionante, mostrou que o Brasil é importante nas discussões sobre o futuro do planeta

iG São Paulo | - Atualizada às

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ficou conhecida como Rio+20, polarizou os debates ambientais durante o primeiro semestre deste ano. Aguardada desde 2007 quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs à ONU uma nova conferência que marcasse os 20 anos da Eco-92, a Rio+20 – o maior evento já organizado pela ONU -- sofreu com o peso de suas expectativas, mas o resultado está longe de ser completamente negativo.

Veja a cobertura completa da Rio+20

Apesar da cúpula ter começado oficialmente apenas no dia 13 de junho, o Rio de Janeiro já sentia os efeitos da mobilização em torno de temas ambientais um mês antes, com eventos paralelos que ocuparam dez pontos diferentes da cidade. Mas era o Riocentro, na zona oeste, o centro principal das discussões que trouxeram mais de 200 chefes de Estado e representantes de países e instituições ao Brasil. Os benefícios foram mais que diplomáticos: antes mesmo da cúpula acabar, ela já tinha movimentado mais de R$ 68 milhões em turismo na cidade, calculou a Embratur.

Vejas as imagens da Rio+20: 


O resultado final foi o documento “O Futuro que Queremos” , intensamente debatido desde o início do ano, em diversas reuniões preliminares. Quando o rascunho supostamente final chegou ao Rio, com diversos trechos ainda indefinidos, já se imaginava que as discussões entre os negociadores iriam além do prazo oficial entre 13 e 15 de junho. E elas invadiram os dias dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, um período com palestras de especialistas e discussões com a sociedade civil, que precedeu o momento do Segmento de Alto Nível, no dia 20, quando chegaram os chefes de Estado. Mas a intervenção brasileira, que fez os negociadores discutirem madrugada adentro no Riocentro, resolveu a questão  no dia 19, ainda que o documento final fosse avaliado como fraco por segmentos da sociedade civil. 

Entenda o documento da Rio+20

A Rio+20 acabou. E agora?

Hoje, somente seis meses depois, acontece a primeira reunião no Brasil sobre os próximos passos das resoluções tomadas na conferência. O Itamaraty será o responsável por organizar algumas das resoluções do documento, como um grupo de trabalho sobre a definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável..

Veja a exposição Humanidade 2012, parte da Rio+20, em 360 graus

Conheça o navio do Greenpeace

Mas a Rio+20 não pode ser encarada como um fim, e sim como um começo, explica Aron Belinky, pesquisador associado do Instituto Vitae Civilis. “Agora é hora de acertar os próximos passos,” disse ao iG . Mesmo o documento considerado fraco reiterou alguns pontos importantes herdados da Eco-92 e que corriam o risco de serem retirados do texto, em determinados pontos da negociação. É o caso do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, que distribui os esforços de combate a problemas ambientais de acordo com os danos de cada país ao planeta. Dentro desse princípio, quem polui mais (normalmente, os países mais ricos), precisa se responsabilizar mais do que países em desenvolvimento sem grandes parques industriais, por exemplo.

Além disso, é bem possível que o futuro mostre que a grande mudança não veio dos encontros entre os chefes de Estado no Riocentro, e sim dos milhares de eventos paralelos que tomaram conta de toda a cidade. Já no fim da conferência, as próprias Nações Unidas estimavam que os acordos bilaterais formados chegavam ao valor de um trilhão de reais , e em um fórum empresarial paralelo também foram firmados mais de 200 compromissos corporativos. A Cúpula dos Povos , a grande reunião da sociedade civil que aconteceu no Aterro do Flamengo, também foi um centro de discussões e acordos. Já o C40, o grupo das maiores cidades do mundo, também se comprometeu a diminuir sua emissão de gases poluentes e do efeito estufa até 2030 . “São desdobramentos que, se não são tão visíveis, com certeza gerarão sementes e conexões futuras,” diz Belinky. É esperar para ver.

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