Despovoamento rural aumenta número e extensão de incêndios na Amazônia

Estudo centrado na amazônia peruana relaciona redução de até 60% da população rural com piora no manejo das terras

AFP | - Atualizada às

AFP

cortesia de Alexander Lee
Na imagem, floresta amazônica sendo queimada

O despovoamento de zonas rurais da Amazônia, a construção de estradas e as secas estão causando incêndios mais frequentes e maiores na região, segundo um estudo de pesquisadores da Universidade de Columbia.

"O resultado do despovoamento de áreas rurais, junto com redes ampliadas de estradas e secas crescentes está causando incêndios mais frequentes e maiores que arrasam grandes áreas", indicam os especialistas do Instituto da Terra da universidade sediada em Nova York.

No estudo, centrado na Amazônia peruana, lembra-se que "durante décadas, muitas áreas da bacia amazônica se tornaram um mosaico de fazendas, pradarias e áreas desmatadas à medida que o povo chegava e derrubava árvores".

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"Mas agora muitos estão partindo em busca de oportunidades econômicas nas cidades da Amazônia, em plena expansão", acrescenta, destacando que uma das razões da existência de mais incêndios florestais é justamente este abandono de terras.

"Alguns cientistas começaram a pensar que isto levaria a menos incêndios. Mas o estudo mostra o contrário: com menos gente na região para controlá-los e pequenas árvores conquistando rapidamente parcelas não cultivadas, mais incêndios se espalham fora de controle e queimam áreas maiores", explicam.

Entre 2003 e 2007, a população da Amazônia peruana aumentou 20%, situando-se em 7,5 milhões de pessoas, segundo dados oficiais citados pelos pesquisadores.

Mas as zonas urbanas cresceram de forma mais acelerada e muita gente do campo se mudou para as cidades, razão pela qual a população rural caiu até 60% em algumas províncias peruanas.

O estudo dos cientistas da Universidade de Columbia destaca que a população rural vai cair em quase todos os países da bacia amazônica, apesar do crescimento das cidades.

Segundo Maria Uriarte, especialista do Departamento de Ecologia, Evolução e Biologia Ambiental de Columbia e uma das autoras do estudo, embora os camponeses sejam com frequência acusados de destruir o meio ambiente, na realidade "são bastante sofisticados no manejo de incêndios e planejam quando, como e onde queimam as terras".

Para avaliar a frequência e causas dos incêndios sem controle, os cientistas combinaram dados sobre o clima na região, imagens do uso de terras e incêndios e entrevistas realizadas com camponeses ao redor da cidade peruana de Pucallpa (capital do departamento de Ucayali) e considerada uma das portas de entrada da Amazônia ocidental.

Muitas dessas entrevistas foram feitas enquanto ardiam incêndios na região, explicaram os autores.

A Amazônia é uma região vasta compartilhada por oito países da América do Sul e a Guiana francesa. Abarca 65% do território peruano.

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