Negociações climáticas da ONU estendem Protocolo de Kyoto até 2020

Representantes de 200 países passaram a noite de sexta para sábado para conseguir aprovar o segundo período do tratado da ONU que tenta evitar o aquecimento global

iG São Paulo | - Atualizada às

Quase 200 países assinaram neste sábado (8) a extensão do Protocolo de Kyoto até 2020 , evitando um novo entrave a duas décadas de esforços da ONU que não foram capazes de impedir o aumento das emissões de gases do efeito estufa.

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A extensão do Protocolo de Kyoto o mantém ativo como o único plano que gera obrigações legais com o objetivo de enfrentar o aquecimento global, embora valha apenas para nações desenvolvidas cuja fatia nas emissões mundiais de gases do efeito estufa seja menor do que 15 por cento.

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Os negociadores viraram a noite em Doha para finalizar o acordo, que no entanto, só cobre 15% das emissões globais, já que o Canadá, Japão, Nova Zelândia e Rússia decidiram não ratificá-lo. Os Estados Unidos nunca foram facilmente parte do protocolo, porque ele não inclui a China ou outros países emergentes.

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Com a extensão, espera-se ganhar prazo para a adoção, em 2015, de um tratado global mais abrangente, que vigoraria após o fim do segundo período de Kyoto.

O pacote também incluiu promessas vagas de financiamento para países em desenvolvimento conseguirem combater mudanças climáticas. Os países mais pobres vieram a Doha pedindo um cronograma em que países desenvolvidos poderiam programar uma ajuda de 100 bilhões de dólares anuais -- que foram prometidos há três anos.

Mas os países ricos, incluindo os Estados Unidos, membros da União Europeia e Japão, ainda estão lidando com as consequências da crise econômica global e não demonstraram interesse em detalhar este financiamento na cúpula do Catar.

Além disso, mesmo apesar das baixas expectativas para o encontro em Doha, muitos países rejeitaram o acordo, classificando-o como insuficiente para combater efetivamente o aquecimento global, que está aumentando os níveis dos oceanos.

Alguns países insulares do Pacífico, inclusive, dizem que sua existência está em risco. "Posso garantir que isto (o acordo) não é o que queríamos como resultado deste encontro," afirmou Kieren Keke, ministro das Relações Exteriores de Nauru, que lidera uma aliança de países insulares. "Certamente não é onde deveríamos estar para prevenir que as ilhas afundem e outros impactos inimagináveis".

(Com informações da AP e Reuters)

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