Brasil propõe gatilho para elevar metas de Kyoto

Países que concordaram em participar do prolongamento do tratado respondem por apenas 15% das emissões de gases do efeito estufa

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Na tentativa de destravar ao menos em parte a pouca ambição dos países na Conferência do Clima da ONU, o Brasil propõe uma espécie de gatilho para aumentar as metas de reduções de emissões das nações que se comprometerem com o segundo período do protocolo de Kyoto.

A continuidade do tratado, cujo primeiro período termina no final do ano, foi uma das decisões tomadas no ano passado na COP de Durban (África do Sul). Para a conferência atual tinham sobrado detalhes a serem resolvidos, mas a situação ficou mais complicada do que se imaginava.

O segundo período é considerado essencial pelo Brasil e outros Basics (China, Índia e África do Sul) por poder servir de referência de regras básicas para um novo tratado climático que tem de ser estabelecido até 2015. Os países que concordaram em participar (como os da União Europeia e a Austrália) respondem por 15% das emissões mundial e estão chegando com propostas não muito altas para os próximos anos. A União Europeia fala em cortar 20% em relação a 1990, sendo que afirma estar chegando a quase18%.

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Alguns países em desenvolvimento, em especial as ilhas, que normalmente pedem mais urgência por conta dos ricos de elevação do nível do mar, acham que isso é muito pouco. A União Europeia não consegue aumentar mais porque a Polônia não quer. A ideia era chegar a pelo menos 30% até 2020.

O Brasil propõe que a meta seja elevada no decorrer do período – o que grupo europeu já tinha proposto –, mas que essa definição já esteja prevista. "A ideia é que seja possível subir os valores a qualquer momento, sem ter de refazer a emenda ou passar por um novo processo de ratificação", explica o embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, negociador-chefe do Brasil.

"O segundo período de compromisso é a chave dessa negociação. Se ele não for feito aqui, temo que os outros elementos não aconteçam", diz.

Ontem teve início o chamado segmento de alto nível, no qual ministros e chefes de Estado assumem as negociações. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu mais uma vez urgência e vontade política. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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